Alto custo de fertilizantes continua sendo “pedra no sapato” da produção rural

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O alto custo de fertilizantes continua sendo “pedra no sapato” da produção rural. Durante um Workshop, o pesquisador Sérgio Ricardo Silva da Embrapa Floresta falou sobre o mercado mundial de adubos e a evolução dos preços ao longo do tempo, influenciado pela geopolítica internacional, que tem impactado os custos de produção.

“O preço dos fertilizantes não retornará a patamares tão baixos no curto prazo, a tendência é estabilizar em valores menores do que está agora, mas ainda muito altos em relação à média anterior. E o Brasil, infelizmente, vai continuar sendo altamente dependente desses insumos”, diz o pesquisador, que abordou também a importância de adubação em florestas.

 

Silva também demonstrou os avanços sobre adubação de pínus a nível mundial, apresentando tecnologias sobre o monitoramento e a diagnose nutricional de florestas.

O uso de fertilizantes para adubação é uma das principais atividades de silvicultura, que visa ao fornecimento de nutrientes minerais essenciais, como nitrogênio, fósforo, potássio etc. para o crescimento e produtividade de florestas. Esses insumos têm significativa participação nos custos florestais, principalmente no hemisfério Sul. No entanto, no Brasil, as florestas de pínus geralmente não têm sido adubadas, pois os resultados obtidos têm sido inconsistentes e de baixa magnitude. Este foi um dos assuntos do 3º Painel, “Como produzir florestas para atender ao mercado de toras”, no 9º Workshop Embrapa Florestas/Apre, realizado neste mês, abordado pelo pesquisador Sérgio Ricardo Silva, da Embrapa Florestas .

 

O pesquisador 

Outro assunto tratado foi a definição da dose de cada nutriente, as melhores épocas para realização da adubação em função do manejo florestal adotado, material genético, características de solo e de clima. “A medida que se vai avançando no acumulado de ciclos e rotações, aumenta-se a probabilidade de resposta à adubação, porque alguns nutrientes serão continuamente extraídos e não repostos de forma natural. Portanto, a resposta à adubação vai depender do nutriente e do número de ciclos e rotações consecutivos”, diz Silva

Além disso, foram apresentados os principais equipamentos utilizados na adubação mecanizada de florestas de pínus no contexto da silvicultura de precisão, inovações em monitoramento nutricional por satélite e por outras técnicas, como a espectrometria de fluorescência de raios X, bem como os principais métodos utilizados para interpretação dos resultados laboratoriais de análises nutricionais.

 

Um ponto importante da apresentação foi a demonstração detalhada dos critérios que podem ser utilizados na definição dos locais com maior probabilidade de resposta à adubação, que contemplam diversos aspectos, como material de origem e mineralogia do solo, condições ambientais, posição da floresta no relevo, histórico de uso da área, nível de produtividade do material genético cultivado, influência de plantas invasoras sobre os efeitos da adubação, associação simbiótica com micorrizas, densidade populacional de árvores por unidade de área, duração do ciclo ou rotação, período total de cultivo da área ao longo de vários ciclos, reservatório de nutrientes no solo, sistema de colheita empregado, dentre outros.

Sérgio Ricardo Silva também apresentou resultados de pesquisa, a nível mundial, demonstrando ganhos de produtividade do pínus, em função da época de adubação com fertilizantes. “Ficou evidente que as florestas de pínus na região Sul do Brasil apresentam potencial de ganhos de produtividade em resposta à adubação, porém, é preciso que seja considerado uma combinação de fatores biológicos, ambientais e de manejo florestal para o preciso diagnóstico nutricional e correspondente aplicação de nutrientes na quantidade e época apropriadas”, afirma o pesquisador.

(Tatiane Bertolino/Sou Agro – com Embrapa)

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