Estudo identifica mudança no perfil das propriedades leiteiras

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#souagro| Um estudo identificou mudança no perfil das propriedades leiteiras nas principais regiões em que há produção rural.

O Projeto Campo Futuro, por meio dos levantamentos dos painéis de custos de produção, identificou, ao longo dos últimos dois anos, uma mudança no perfil produtivo dessas propriedades leiteiras.

A principal alteração foi a migração de sistemas semiconfinados para sistemas em que há o confinamento total das vacas em lactação.

 

Essa transformação nas propriedades leiteiras foi registrada no oeste dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, no Sul de Minas Gerais e na praça do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Para isso, produtores realizaram investimentos em instalações no modelo “Compost Barn”, também chamado no Brasil de “Composto”. Essa estrutura é formada por barracões cobertos, com a presença de uma cama de maravalha comum a todos animais, que, ali, permanecem sendo constantemente resfriados.

O investimento na estrutura para as propriedades leiteiras visa o alojamento das vacas em lactação, garantindo um ambiente mais confortável e controlado, que é revertido ao longo prazo em melhor desempenho geral dos níveis de produção. As pesquisas mostram que entre as principais vantagens dessas estruturas em relação ao modelo anterior estão a diminuição na incidência das doenças de casco, redução dos níveis de mastite, maior controle sobre o consumo da dieta e melhores condições de temperatura e ambiência.

Entretanto, o sistema também apresenta seus desafios de adaptação e de aprendizagem por parte dos produtores e colaboradores envolvidos, uma vez que o manejo da cama é o ponto central para o sucesso do novo sistema. A migração do sistema de produção é um movimento natural, que tem como objetivo o ganho em escala e a consequente maior competitividade econômica da atividade leiteira frente a outras, como a agricultura. O investimento nos barracões, entretanto, é alto e os planejamentos financeiro e produtivo precisam ser priorizados, sobretudo nos primeiros anos de transição, em que os animais ainda não conseguem atingir o máximo do seu potencial produtivo.

 

Tendo como exemplo as propriedades típicas de Cascavel, no Paraná, e Patos de Minas, em Minas Gerais, que registraram essa migração nos últimos anos, observa-se um aumento do estoque médio de capital investido em instalações por vacas em lactação

Enquanto em 2018 o valor investido era de pouco mais de R$ 11.000,00 por vaca em lactação para as duas regiões, após os investimentos nos barracões, esses valores subiram para R$ 18.671,41 em Cascavel e para R$ 16.277,90 em Patos de Minas (os valores foram corrigidos pelo IGP-DI). Isso implica naturalmente em um COT (Custo Operacional Total) maior, tendo em vista o aumento do custo com as depreciações das instalações.

No intuito de entender o impacto do investimento nas propriedades leiteiras durante essa fase de transição de modelo produtivo, o Cepea/CNA realizou uma simulação. Para isso, foi levantado qual o ganho em produção individual que o rebanho precisaria atingir para obter um cenário de equilíbrio entre custos e a receita dessas propriedades. Para a análise, foram utilizados os valores de receitas e custos médios de maio de 2021 a maio de 2022 para as regiões já citadas acima.

 

Foram simulados cenários com ganhos de 15% a 35% na produção média por vaca em lactação, sempre considerando também os avanços proporcionais com as despesas da dieta compatíveis a esse rendimento, que, para esta análise, foram de 15% e 35%.

A propriedade modal Cascavel registrou produção média por vaca de 26 litros dia no cenário de transição, sendo que o COT comprometeria mais de 4% do total da receita com a venda do leite. Agora, quando considerada uma alta de 15% na produção média diária, chegando a aproximadamente 30 litros, observa-se uma melhora ainda pouco significativa, já que verifica-se o comprometimento de 98,3% da receita com o COT. Já com avanço de 35% na produção média diária em relação ao cenário inicial, atingindo 35 litros/dia, essa propriedade paranaense compromete 90,7% de sua receita para cobrir o COT. Isso evidencia que a produção média diária acima de 35 litros gera um cenário mais positivo, mesmo com o aumento proporcional dos desembolsos. Patos de Minas também conta com uma produção média de 26 litros/dia no momento de transição, já que o COT compromete 100% de sua receita com a venda do leite.

Com o acréscimo de 15% na média diária de produção, passando para 30 litros/dia, 95% da receita gerada seria comprometida para cobrir o COT. Já com incremento de 35% sobre a média inicial, com a produção chegando a 35 litros/dia, a propriedade conseguiria reduzir em mais de 10 pontos percentuais em relação ao cenário base, e o COT representaria 84% da receita do leite garantindo uma margem líquida mais equilibrada ao negócio.

(Tatiane Bertolino/Sou Agro – com Cepea )

Fonte: Cepea

 

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