O sumiço do ouro branco na Costa Oeste paranaense

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#souagro | O fim do século 20 e início de uma nova era na Costa Oeste paranaense, também colocou um ponto final em uma atividade responsável pela geração 3 mil empregos. No ápice, a cultura foi batizada de “ouro branco” e sucumbiu por conta de uma junção de fatores, como falta de mão-de-obra, mecanização, custo de produção e surgimento de pragas.

Túnel do tempo: lavoura de algodão em Diamante do Oeste
Túnel do tempo: lavoura de algodão em Diamante do Oeste: atividade chegou a gerar três mil empregos

Os municípios da região oeste com maior produção eram Diamante do Oeste, São José das Palmeiras e Ramilândia. Se alguém ainda tem dúvida, vamos colocar um ponto final no suspense. Trata-se do algodão, cuja produção nacional deverá crescer 20,3% na safra 2021/22, o mesmo ocorrendo com a área plantada no Brasil, com aumento estimado em 12,6%. A exploração do algodão na Costa Oeste paranaense teve início no fim da década de 1970.

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O ex-secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Diamante do Oeste, José Maria Dias, lembra-se bem dos áureos tempos da cultura. “Havia inclusive um plano de incentivo estadual à cotonicultura, implantado pelo então governador Jaime Lerner”, comenta José Maria Dias. “A colheita era feita manualmente e os recursos gerados, proporcionava o sustento de milhares de famílias em Diamante do Oeste”. Ele lembra da primeira máquina que colheu algodão na região, de origem argentina e adquirida pelo ex-prefeito de Vera Cruz do Oeste, já falecido, Nelson Tomazinho. “A tecnologia ainda dava os primeiros passos e a máquina deixava muito algodão para trás no solo”, recorda José Maria. “A cultura começou a perder força aos poucos e com o avanço da mecanização de áreas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sucumbiu de vez”. Segundo José Maria, nesses estados se colhe 600 arrobas por hectare em fazendas de 10 mil a 40 mil hectares dedicadas unicamente ao cultivo do algodão.

Ex-cerealista da época, Ivan Carlos Martins, de Diamante do Oeste, comprava o algodão e também cultivava e uma propriedade, atraído por um mercado aquecido e gerador de renda na época. “Fiquei de 1987 a 2003 investindo na compra de algodão. A atividade começou a desaparecer das terras de Diamante por conta da ausência de material humano, fundamental para fazer a colheita manual e por conta do surgimento da mecanização em outras regiões do País”, destaca. Outro fator apontado como responsável pela redução do interesse pelo algodão envolveu os preços mais atrativos da soja, levando muitos produtores a trocarem de atividade.

A dura lida no campo também fez diminuir o interesse pela exploração do algodão na região. “Era uma atividade que exigia um esforço sobre-humano. Debaixo de sol forte, as pessoas precisavam colher manualmente e plantar utilizando tração animal ou tratores pequenos”, lembra Ivan. “Cheguei a plantar 100 alqueires de algodão em uma área arrendada. A grande maioria explorava a cultura em áreas de um a cinco alqueires”. Até 1995, o algodão era vendido a preços atraentes. “A pessoa fazia uma boa safra e ficava o ano todo usufruindo dos dividendos. Depois disso, com a produção em larga escala no Mato Grosso, a região sentiu a baque e foi deixando aos poucos de explorar o algodão”. Pelas contas de Ivan Martins, o último plantio em Diamante do Oeste ocorreu em 2008. “Se uma pessoa precisar fazer um chá com folha de algodão em Diamante do Oeste não vai conseguir. Não existe sequer um pé da planta no município”.

A maior safra de algodão em Diamante do Oeste ocorreu em 1993. “Na época, comprei 118 mil arrobas de algodão. A safra durava três meses, de março a maio. Por fim, outra causa importante responsável pelo fim do algodão na Costa Oeste paranaense é creditada à entrada da praga conhecida como bicudo, antes só vista no Norte do Paraná. Os primeiros casos na região ocorreram em 1995, obrigando o produtor a investir valores substanciais em defensivos, reduzindo a margem de lucro.

(Vandré Dubiela/Sou Agro)

 

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