EUA impõe novo tarifaço contra o Brasil

Fernanda Toigo

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Imagem: Canva

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira um tarifaço de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, em uma medida que já está sendo considerada a mais dura contra o Brasil desde a abertura comercial dos anos 1990.

A decisão, assinada por Donald Trump, atinge setores estratégicos como etanol, ferro-gusa, açúcar, tabaco, máquinas industriais e derivados de madeira, com impacto estimado em quase 15 bilhões de dólares anuais nas exportações. Apesar da abrangência, café e carnes foram poupados da taxação, o que trouxe algum alívio ao agronegócio, especialmente no Paraná, mas não diminui a preocupação com os efeitos sobre a indústria e a balança comercial.

Minuta da MP prevê pontos centrais de projeto de lei

O governo americano justificou a medida alegando falhas brasileiras na proteção de propriedade intelectual, na aplicação de leis ambientais e na concessão de tarifas preferenciais a outros países. Também citou o Pix como exemplo de infraestrutura pública que, segundo Washington, prejudicaria empresas privadas americanas. Em Brasília, a reação foi imediata: diplomatas classificaram as exigências como sem base técnica e o Planalto já estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para retaliar.

O tarifaço tem forte componente político. Trump vinculou a decisão ao apoio a Jair Bolsonaro, chamando os processos contra o ex-presidente de perseguição. Analistas internacionais apontam que a medida não apenas pressiona o Brasil economicamente, mas também busca dar palco ao bolsonarismo em Washington. Editorial britânico chegou a classificar o pacote como um ataque à autonomia brasileira.

Com mais de quatro mil itens atingidos e cerca de mil isentos, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. O impacto sobre setores como siderurgia e química deve ser imediato, enquanto o agronegócio tenta se reorganizar diante da nova realidade. O governo Lula, por sua vez, aguarda a lista oficial detalhada para negociar exceções e preparar sua resposta diplomática.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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