EUA impõe novo tarifaço contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira um tarifaço de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, em uma medida que já está sendo considerada a mais dura contra o Brasil desde a abertura comercial dos anos 1990.
A decisão, assinada por Donald Trump, atinge setores estratégicos como etanol, ferro-gusa, açúcar, tabaco, máquinas industriais e derivados de madeira, com impacto estimado em quase 15 bilhões de dólares anuais nas exportações. Apesar da abrangência, café e carnes foram poupados da taxação, o que trouxe algum alívio ao agronegócio, especialmente no Paraná, mas não diminui a preocupação com os efeitos sobre a indústria e a balança comercial.
Minuta da MP prevê pontos centrais de projeto de lei
O governo americano justificou a medida alegando falhas brasileiras na proteção de propriedade intelectual, na aplicação de leis ambientais e na concessão de tarifas preferenciais a outros países. Também citou o Pix como exemplo de infraestrutura pública que, segundo Washington, prejudicaria empresas privadas americanas. Em Brasília, a reação foi imediata: diplomatas classificaram as exigências como sem base técnica e o Planalto já estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para retaliar.
O tarifaço tem forte componente político. Trump vinculou a decisão ao apoio a Jair Bolsonaro, chamando os processos contra o ex-presidente de perseguição. Analistas internacionais apontam que a medida não apenas pressiona o Brasil economicamente, mas também busca dar palco ao bolsonarismo em Washington. Editorial britânico chegou a classificar o pacote como um ataque à autonomia brasileira.
Com mais de quatro mil itens atingidos e cerca de mil isentos, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. O impacto sobre setores como siderurgia e química deve ser imediato, enquanto o agronegócio tenta se reorganizar diante da nova realidade. O governo Lula, por sua vez, aguarda a lista oficial detalhada para negociar exceções e preparar sua resposta diplomática.











