Entenda como a geada prejudica o milho

Débora Damasceno
Débora Damasceno

#souagro| A preocupação com a geada tem tirado o sono dos produtores rurais nas últimas semanas. A previsão do tempo indica temperaturas negativas a partir da noite desta segunda-feira (16). Mas no meio disso tudo, é importante entender o motivo que gera tanto receio para os produtores, principalmente na produção de milho.

No estágio atual em que a maioria das lavouras está, é muito díficil evitar as perdas, já que o frio em excesso pode ser muito prejudicial para a planta.

Mas as perdas causadas pela geada são muito relativas e dependem do estágio de desenvolvimento do milho. Mas os especialistas explicam que 15°C a 30° é a variação de temperatura ideal para a planta, claro se não ocorrer falta de chuvas nem geadas. Mas vamos entender o que as baixas temperaturas causam em cada um dos estágios do milho.

Estágios iniciais

Falando em estágios iniciais, a recuperação do milho é mais fácil em caso de geadas. É que nos estágio VE e V2, o ponto de crescimento está abaixo do solo, mas é só até aqui que o risco é menor. Conforme a planta vai crescendo, a situação fica ainda mais preocupante.

Estágios V3 e V4

A partir do estágio V3 até o V4, a planta precisa produzir energia por meio da fotossíntese, afinal a semente já foi totalmente consumida. Neste caso, quando ocorre a geada, as células da planta, principalmente as folhas, são congeladas o que causa a morte do tecido das mesmas. As folhas mais jovens são as que mais sofrem com a geada, isso porque há maior quantidade de água e menos sais.

Até 6 folhas

Se mesmo com a ocorrência de geadas, a planta se recuperar nos estágios de até 6 folhas, isso vai resultar na perda de até 25% da produção por conta da queda de fotossíntese. Além disso, também pode haver redução das espigas.

 

Embonecamento

Se a geada chegar quando o milho estiver no estágio de embonecamento, a ocorrência de geada afeta diretamente a produção de grãos, por conta da má fecundação.

Enchimento de grãos

Se os grãos não estiverem bem formados e a geada chegar também pode ocorrer a perda desses grãos. Em caso das temperaturas baixas isso reduz a área foliar, diminuindo também a produtividade do milho, já que para o enchimento dos grãos, as folhas produzem fotoassimilados e enviam os nutrientes para os grãos.

Se a geada for muito extrema pode causar perda de até 100% da produção.

 

É possível diminuir os efeitos da geada no milho?

Infelizmente não há o que fazer se a geada chegar no momento em que o milho estiver em um estágio avançado. O que os especialistas orientam é fazer um planejamento.

Uma das alternativas é utilizar cultivares mais precoces quando houver atraso na semeadura de milho segunda safra. Outra possibilidade é fazer uma adubação com potássio, é que o congelamento da planta muda de acordo com a concentração de sais e o potássio eleva o ponto de congelamento da seiva. Assim, as folhas toleram o frio intenso das geadas.

A irrigação também pode auxiliar, se a lavoura tiver sistema para irrigar é importante utilizar em caso de previsão de geada. É que esse método aumenta a umidade do ar, interferindo no ponto de congelamento das células.

A plantação de árvores em torno da plantação de milho também pode minimizar o efeito da geada.

Se a geada afetar a plantação de milho, o que fazer?

Mas se a geada de fato chegar e atingir as lavouras de milho, é importante que o produtor aguarde de 5 a 7 dias para conseguir fazer uma avaliação precisa das perdas e a partir daí tomar decisões do que será feito.

(Débora Damasceno/Sou Agro com agências)

 

(Foto: Embrapa)

(Débora Damasceno/Sou Agro)

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