Doenças da cultura do milho podem reduzir até 70% da produção

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#souagro| As doenças da cultura do milho podem reduzir até 70% da produção. O assunto, que é considerado principal desafio fitossanitário da cadeia produtiva do milho do Brasil, será discutido no 43º Congresso Nacional de Milho e Sorgo.

O evento será nos formatos presencial e online de 12 a 15 de setembro. As doenças da cultura do milho serão assuntos tratados na palestra “Complexo de enfezamentos – Desafios técnicos” pelo pesquisador Charles Martins de Oliveira, da Embrapa Cerrados (DF). A apresentação vai integrar o painel “Os desafios do manejo de enfezamentos na cultura do milho”, no dia 14, a partir das 10h20.

 

Os enfezamentos são doenças vasculares e sistêmicas que ocorrem na cultura do milho. São provocados por dois patógenos distintos: o espiroplasma, agente causal do enfezamento pálido, e o fitoplasma, que causa o enfezamento vermelho. Ambos são transmitidos pela cigarrinha-do-milho, o único inseto-vetor conhecido no Brasil. Desde 2015, grandes populações desse inseto-vetor têm sido registradas nas diferentes regiões produtoras de milho, como Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e, mais recentemente, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.

A complexidade das relações entre planta, inseto-vetor, patógenos e condições ambientais dificultam o manejo desse patossistema (interação entre patógeno e hospedeiro). “Os maiores desafios envolvem o desenvolvimento de resistência genética de híbridos de milho aos patógenos ou ao inseto-vetor, o conhecimento de aspectos ecológicos e comportamentais da cigarrinha-do-milho, o estabelecimento de períodos mais prolongados de tempo sem milho no campo e a necessidade de ações conjuntas de manejo por parte dos produtores em nível regional”, explica Oliveira.

 

Na palestra, o pesquisador vai detalhar o conjunto de boas práticas agrícolas que devem ser adotadas regionalmente e implementadas ao longo de todo o ano para o manejo dos enfezamentos do milho e da cigarrinha-do-milho. As práticas envolvem a eliminação das plantas voluntárias de milho, antecedendo a semeadura; o tratamento com inseticida das sementes de milho e a pulverização das plantas com inseticidas químicos e/ou biológicos entre a emergência e o estágio V8; o uso de híbridos de milho mais resistentes ou tolerantes a essas doenças; evitar a semeadura de novas áreas de milho próximas a plantios mais velhos, com sintomas dos enfezamentos; reduzir as janelas de semeadura; reduzir as perdas de grãos na colheita e no transporte; e evitar a semeadura de milho sobre milho ou a semeadura de gramíneas após o milho.

Segundo Oliveira, os surtos epidêmicos dos enfezamentos do milho e os altos níveis populacionais da cigarrinha-do-milho observados em diversas regiões do Brasil não parecem ser um problema esporádico e passageiro. “As mudanças no sistema de produção de milho nos últimos anos, com aumento crescente de área plantada, amplas janelas de plantio, diversificação de épocas de semeadura e disseminação de plantas voluntárias de milho, são uma realidade consolidada”, afirma o pesquisador, acrescentando que o convívio com enfezamentos vai exigir mudanças no sistema de produção do milho para restabelecer períodos de entressafra maiores e a redução das fontes de alimento para a cigarrinha-do-milho nesses períodos, como a eliminação de plantas voluntárias de milho.

 

Ele aponta, ainda, a necessidade de ações conjuntas de órgãos oficiais, da iniciativa privada e de produtores para a adoção das práticas agrícolas recomendadas para o manejo das doenças e do inseto-vetor nas paisagens agrícolas e em escala regional.

A programação do congresso está disponível em: http://www.abms.org.br/cnms/Home.html. As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de setembro.

(Tatiane Bertolino/Sou Agro – com Embrapa)

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