Manejo preventivo evita manchas foliares

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#souagro | O manejo preventivo é importante para evitar manchas foliares no sistema de produção. Pois a produção brasileira de grãos enfrenta grandes desafios em função das condições climáticas que são favoráveis aos cultivos, mas que também possibilitam o bom estabelecimento e desenvolvimento de pragas e doenças.

O complexo de manchas foliares incidente nas lavouras de soja pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos. Dentre as estratégias de controle para Mancha alvo são preponderantes o plantio de cultivares menos sensíveis ao ataque do patógeno, o uso de sementes sadias, a rotação e sucessão de culturas com gramíneas, o tratamento de sementes e o controle químico. Já para Crestamento de cercospora, o uso de fungicidas é uma importante ferramenta no manejo.

 

 

Conforme a pesquisadora em Fitopatologia, Karla Kudlawiec, é preciso considerar todas as variáveis dentro do sistema de produção. “A chance de sucesso no controle das doenças da lavoura é muito maior quando o produtor considera as estratégias disponíveis no seu planejamento. Isoladamente, as medidas de controle podem não surtir o efeito desejado. No campo, podemos ter a ocorrência das duas doenças juntas e, ainda, de outros patógenos, que somados podem reduzir a produtividade e consequentemente a lucratividade das lavouras”, analisa a especialista.

Nos estados onde é realizado ao menos o cultivo de primeira e segunda safra, considerar o sistema de produção como um todo quando se trata de manejo é ainda mais relevante. Isso porque patógenos, como o fungo causador da Mancha alvo (Corynespora cassiicola), tem como hospedeiro as culturas da soja e do algodão, por exemplo. E nas últimas safras, além dessa mancha foliar, outro patógeno tem crescido em importância nas lavouras de soja safra: o Crestamento foliar de cercospora (Cercospora spp.).

 

 

Mancha alvo

Os primeiros relatos da Mancha alvo em Mato Grosso datam da década de 80. Hoje, C. cassiicola está disseminado em todo o Estado. O fungo causador da doença pode sobreviver em restos culturais, em sementes de soja infectadas, e ainda permanecer viável no solo por anos. No sistema de produção soja/algodão ou no cultivo de espécies de crotalária há a multiplicação de inóculo do patógeno, que pode incidir de uma safra para outra, pois são duas culturas hospedeiras do fungo.

Na primeira safra 21-22 foi observado maior volume de precipitação e melhor distribuição das chuvas ao longo do período. As condições favoráveis para o desenvolvimento da Mancha alvo ocorrem durante a fase reprodutiva da cultura, quando há o fechamento do dossel. E entre os fatores que aumentam a severidade da doença no campo estão as condições prolongadas de alta umidade (> 85%), com períodos de molhamento foliar de 48 horas e as temperaturas elevadas. “Com a presença de inóculo na área, multiplicado pela cultura antecessora, e características ambientais favoráveis, tivemos a incidência do patógeno e a evolução da severidade da doença”, destaca Karla.

 

 

A especialista explica que, além do acompanhamento das previsões climáticas para a safra, o produtor deve considerar no planejamento fatores relacionados à escolha do material genético, levando em conta os diferentes níveis de sensibilidade à ocorrência de Mancha alvo. Também, deve lançar mão das estratégias de controle químico e biológico na definição do manejo de condução da lavoura de soja.

“O inóculo do fungo Corynespora cassicola, presente nos restos culturais, atinge as primeiras folhas do terço inferior da planta através dos respingos de chuva. A partir da infecção inicial, novos esporos são conduzidos nos extratos da planta, alcançando o terço médio e até o terço superior. Sendo assim, é importante proteger todo o dossel, principalmente as folhas mais próximas ao solo. Para isso, recomendamos que a aplicação seja realizada em pré-fechamento de entrelinha.” explica a pesquisadora.

Os danos ocasionados por essa doença têm impacto na produtividade final e no peso das sementes. Esses efeitos são resultantes da desfolha precoce das plantas no campo, o que afeta a translocação de fotoassimilados para os grãos. Em especial, no caso do sistema soja/algodão ou soja/crotalária, o produtor precisa fazer o controle da Mancha alvo nas duas culturas. “O inóculo multiplicado em uma cultura poderá causar doença na próxima, portanto, é preciso manejar bem e com consciência, tanto no algodão, quanto na soja. A Mancha alvo já foi uma doença que não tinha grande importância, mas vem evoluindo ano após ano”, reforça a especialista.

 

 

Crestamento de cercospora

A ocorrência de Crestamento de cercospora, causada pelo fungo Cercospora spp., tem despertado atenção de produtores e especialistas. Nas últimas safras, houve aumento da incidência e na severidade da doença nas áreas de soja de Mato Grosso. De modo geral, em condições de campo, a maioria dos materiais apresentam sensibilidade à ocorrência e, dentre as espécies, podem ser listadas a Cercospora kikuchii, C. sigesbeckiae e C. flagellaris.

Para os pesquisadores, o desafio é compreender como cada espécie se comporta e a predominância em cada região do Estado e do Brasil. “Acreditamos que existem diferenças entre as espécies, que podem ocorrer simultaneamente em condições de campo. Instituições de pesquisa e universidades têm trabalhado para entender as diferenças de patogenicidade de cada uma, detalha a pesquisadora da Fundação MT.

A infecção de Cercospora também pode ocorrer quando há uma fitotoxidez da folha, desencadeada pela aplicação de alguma molécula química. O fungo é oportunista e aproveita a fragilidade do tecido para colonizar. “A identificação visual das lesões nas plantas de soja está relacionada ao efeito da cercosporina, uma exotoxina produzida pelo fungo e responsável pela coloração avermelhada das lesões”, coloca Karla.

Além disso, esse fungo pode atacar todas as partes da planta e ser responsável por grandes perdas no rendimento e na qualidade da semente, principalmente por causar a chamada mancha púrpura em sementes de soja.

 

(Ageiél Machado / Sou Agro com assessoria)

 

 

(foto: assessoria  Fundação MT)

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