CNA: Fertilizantes mais caros e conflitos pressionam custo da próxima safra

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: CNA

As tensões no Oriente Médio estão impactando o bolso do produtor rural brasileiro e podem elevar ainda mais os custos da safra de grãos 2026/2027. É o que aponta o levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Com as compras de fertilizantes para a safra 2026/2027 se concentrando no segundo semestre, este é o momento mais crítico para o planejamento do produtor.

Produtor rural pode ter CAD/PRO suspenso

A análise mostra que, entre janeiro e abril de 2026, o volume de fertilizantes nitrogenados e fosfatados importados caiu de 7,7 milhões de toneladas para 7,4 milhões de toneladas, o que representa uma queda 4% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o valor desembolsado pelo País para importação aumentou 16%, reflexo direto do conflito e impactos do custo logístico.

Preço do fertilizante sobe, mas soja e milho não acompanham – De acordo com a CNA, o dado mais preocupante não está apenas no preço dos fertilizantes, mas na deterioração da relação de troca. Para comprar a mesma quantidade de adubo, o produtor precisa entregar mais sacas de soja ou milho do que em anos anteriores.

Em 2026 essa equação está pior do que em 2022, ano marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços dos insumos também dispararam, mas as commodities agrícolas operavam em patamares historicamente elevados.

Dados do projeto Campo Futuro, do Sistema CNA/Senar, mostram que o preço médio por tonelada de ureia ao produtor aumentou 40% no período do conflito do Oriente Médio. No grupo dos fosfatados, o preço médio do MAP subiu 20%. Por outro lado, as cotações da soja (+0,9%) e o milho (+0,1%) ficam praticamente estáveis no mesmo período.

Dependência externa segue como ponto fraco

O Brasil possui alta dependência externa para a utilização de insumos. Cerca de 93% dos fertilizantes utilizados no Brasil foram importados. Qualquer choque externo, seja por conflito armado, sanção comercial ou crise logística, se traduz quase imediatamente em custo maior para o campo brasileiro.

Preços altos levam a uma reconfiguração do mercado

Diante dos preços elevados, o produtor vem buscando fontes de menor concentração. Nesse contexto, em 2025 a China ultrapassou a Rússia e assumiu a liderança nas exportações de fertilizantes ao mercado brasileiro. Os principais exportadores no ano passado foram China (26%), Rússia (25%) e Canadá (11%). Durante o conflito, observa-se continuidade da mudança, com o aumento da importação dos produtos menos impactados, como potássicos, onde países como o Turcomenistão (8%) passa a figurar entre os cinco principais fornecedores no compilado de fevereiro a abril.

 

Acesse a análise na íntegra aqui

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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