China ultrapassa o Brasil e se torna a líder mundial na produção de tambaqui

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Divulgação Meteored

Durante décadas, o tambaqui (Colossoma macropomum) foi considerado um símbolo da fauna aquática brasileira. Nativo da bacia amazônica, o peixe sempre teve papel central na pesca e na piscicultura da região Norte, além de presença marcante na alimentação regional.

Criado principalmente em viveiros escavados e comercializado em feiras locais, o tambaqui era visto como um produto essencialmente nacional, associado à cultura e à economia amazônica.

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Esse cenário, no entanto, começou a mudar silenciosamente. O peixe ganhou projeção internacional e passou a integrar cadeias globais de produção aquícola.

Produção global muda de eixo

Atualmente, a China lidera a produção mundial de tambaqui em volume e exportação, superando o Brasil. O país asiático assumiu a dianteira em escala produtiva, apesar de o Brasil seguir como centro de origem e desenvolvimento tecnológico da espécie.

Peixe tambaqui, beiju, batatas e chica (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Peixe tambaqui é um dos símbolos da gastronomia amazônica. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A mudança reflete um planejamento industrial agressivo, aliado à capacidade chinesa de produção em larga escala e integração logística eficiente. O tambaqui deixou de ser um peixe regional para se tornar uma commodity aquícola global.

A estratégia chinesa inseriu a espécie em um modelo voltado ao abastecimento do mercado interno e à exportação contínua de proteína aquática.

Características que impulsionaram a expansão

O sucesso do tambaqui no mercado internacional está ligado às suas qualidades biológicas. O peixe apresenta crescimento rápido, rusticidade e excelente conversão alimentar, fatores essenciais para sistemas de aquicultura intensiva.

Além disso, essa espécie tolera variações ambientais, adapta-se bem a altas densidades de cultivo e possui carne branca de sabor suave, com ampla aceitação do consumidor. Essas características tornaram o tambaqui especialmente atrativo para países com tradição em aquicultura industrial, como a China.

Dados de organismos internacionais como a FAO indicam que a expansão da aquicultura chinesa ocorre de forma consistente desde os anos 2000, com forte apoio estatal, investimentos em pesquisa aplicada e políticas voltadas à segurança alimentar.

Nesse contexto, a incorporação do tambaqui à matriz produtiva chinesa reflete uma estratégia de diversificação de espécies cultivadas, reduzindo riscos produtivos e ampliando a oferta global de proteína de peixe, enquanto reforça a dependência do conhecimento genético e científico originalmente desenvolvido no Brasil.

Modelo chinês e papel do Brasil

Na China, o peixe foi incorporado por meio de programas estruturados de introdução e melhoramento genético, sendo cultivado em sistemas que vão de tanques escavados a estruturas altamente tecnificadas.

O diferencial chinês está na escala produtiva, na logística integrada, no processamento com valor agregado e na capacidade de manter fornecimento estável ao mercado global.

Mesmo tendo sido ultrapassado em volume, o Brasil segue como referência técnica, genética e científica do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie e domina tecnologias de reprodução, larvicultura e engorda em clima tropical, mantendo papel estratégico no desenvolvimento do peixe amazônico.

(Com Meteored Brasil)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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