Enchente será a primeira de muitas no Sul do Brasil

Fernanda Toigo

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Enchente ontem em Lajeado com a cheia do Rio Taquari | PREFEITURA DE LAJEADO

A enchente que atinge o Rio Grande do Sul neste momento não deve ser vista como um episódio isolado. Meteorologistas da MetSul alertam que o fenômeno El Niño, já classificado como muito forte, tende a evoluir para excepcional, o que pode gerar uma sequência de eventos extremos de chuva e enchentes até pelo menos o primeiro semestre de 2027.

O aquecimento extraordinário do Oceano Pacífico Equatorial intensifica o transporte de umidade da Amazônia para o Sul do Brasil, criando um ambiente favorável a temporais severos. Isso significa que sistemas meteorológicos comuns, como frentes frias e ciclones extratropicais, passam a produzir volumes de precipitação muito acima da média. Com rios já elevados e solos saturados, cada novo episódio aumenta o risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos.

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Embora o Rio Grande do Sul concentre a atenção, Santa Catarina e Paraná também entram em zona crítica. Em Santa Catarina, há risco tanto de grandes cheias em vales quanto de enxurradas rápidas em áreas montanhosas. No Paraná, rios das bacias do Iguaçu, Ivaí e Paranapanema podem registrar elevações significativas diante da repetição de chuvas intensas.

A primavera, entre setembro e novembro, deve marcar a intensificação dos efeitos, com maior frequência de frentes frias e ciclones extratropicais. Além das enchentes, cresce a ameaça de tempestades severas, acompanhadas de vendavais, granizo e intensa atividade elétrica. Especialistas destacam que o impacto do El Niño não se limita a um único evento: o padrão atmosférico alterado persiste por meses, fazendo com que enchentes sucessivas ocorram em intervalos curtos, sem tempo para recuperação dos rios e do solo.

Projeções internacionais indicam que o pico do fenômeno pode ocorrer no fim deste ano, com anomalias inéditas em setores do Pacífico, superando episódios históricos como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. Por isso, a cheia atual deve ser encarada como um primeiro alerta. O risco hidrológico tende a aumentar progressivamente, colocando em evidência a vulnerabilidade da população e da infraestrutura do Sul do Brasil diante de um Super El Niño sem precedentes.

(Com METSUL)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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