Brasil testa plataforma espacial para pesquisas na agricultura

O Brasil iniciou uma nova fase de testes de uma plataforma espacial que pode ampliar pesquisas científicas em microgravidade e, futuramente, contribuir para áreas como a agricultura.
A segunda etapa da Operação Potiguar ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN). Durante a missão, os pesquisadores avaliam o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R).
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Microgravidade pode ampliar pesquisas agrícolas
O ambiente de microgravidade permite que pesquisadores estudem fenômenos de maneira diferente do que ocorre na Terra. Na agricultura, por exemplo, os experimentos podem ampliar o conhecimento sobre processos biológicos e fisiológicos. Além disso, os resultados podem ajudar no desenvolvimento de tecnologias para ambientes controlados.
Outras áreas também podem aproveitar a plataforma. Entre elas estão biologia, materiais, fluidos, combustão e medicamentos. Dessa forma, os pesquisadores conseguem observar como organismos e materiais se comportam quando a gravidade apresenta níveis muito reduzidos.
Agricultura espacial ganha importância
Os estudos em microgravidade também podem contribuir para futuras missões espaciais de longa duração. Nesse contexto, a chamada agricultura espacial busca desenvolver formas de produzir alimentos fora da Terra. Para isso, os pesquisadores precisam entender como as plantas respondem a condições diferentes das encontradas no campo.
Assim, experimentos realizados em ambientes de gravidade reduzida podem ajudar a desenvolver sistemas de cultivo para missões espaciais. A PSM-R integra o Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB). O programa seleciona experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais.
Plataforma será lançada por foguete brasileiro
A PSM-R será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O foguete tem aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e massa de cerca de 1,6 tonelada.
Segundo as simulações utilizadas na preparação da missão, o veículo poderá alcançar aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. Enquanto isso, a carga útil formada pela plataforma de microgravidade terá massa estimada em 401 quilos.
Equipamentos serão monitorados durante o voo
Durante o lançamento, sistemas de telemetria e rastreamento acompanharão o comportamento do veículo e da plataforma. Depois do retorno, os pesquisadores poderão recuperar os equipamentos e analisar os experimentos realizados durante o período de microgravidade.
Esse processo representa justamente o principal objetivo da segunda fase da Operação Potiguar. A primeira etapa ocorreu em 2024. Naquela ocasião, a missão concentrou os esforços na verificação de procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento.
Recuperação pode ampliar pesquisas
A possibilidade de recuperar a plataforma amplia as oportunidades para novas missões científicas. Isso porque os pesquisadores podem analisar diretamente os equipamentos e os experimentos após o voo. Além disso, podem avaliar os dados obtidos durante o período de microgravidade.
A plataforma reúne diferentes sistemas para funcionamento e recuperação. Entre eles estão paraquedas, módulos de experimentos, controle, sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado ioiô.
O dispositivo auxilia no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil. A operação envolve cerca de 160 militares e servidores civis. Eles participam das etapas de preparação, integração, lançamento e recuperação.
Centro de Lançamento da Barreira do Inferno
O CLBI coordena os procedimentos de segurança, rastreamento e telemetria do veículo durante a missão. Inaugurado em 1965, o centro foi o primeiro local de lançamentos espaciais da América do Sul.
Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a estrutura já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos.
Por enquanto, a Operação Potiguar 2 concentra seus esforços no teste do sistema de recuperação da plataforma.
No entanto, o desenvolvimento da PSM-R pode ampliar a capacidade brasileira para realizar experimentos em microgravidade. Além disso, no futuro, a tecnologia pode abrir espaço para pesquisas voltadas à agricultura e à produção de alimentos em ambientes extremos.
(Com BPMoney)











