Brasil testa plataforma espacial para pesquisas na agricultura

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Agricultura/CanvaPro

O Brasil iniciou uma nova fase de testes de uma plataforma espacial que pode ampliar pesquisas científicas em microgravidade e, futuramente, contribuir para áreas como a agricultura.

A segunda etapa da Operação Potiguar ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN). Durante a missão, os pesquisadores avaliam o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R).

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Microgravidade pode ampliar pesquisas agrícolas

O ambiente de microgravidade permite que pesquisadores estudem fenômenos de maneira diferente do que ocorre na Terra. Na agricultura, por exemplo, os experimentos podem ampliar o conhecimento sobre processos biológicos e fisiológicos. Além disso, os resultados podem ajudar no desenvolvimento de tecnologias para ambientes controlados.

Outras áreas também podem aproveitar a plataforma. Entre elas estão biologia, materiais, fluidos, combustão e medicamentos. Dessa forma, os pesquisadores conseguem observar como organismos e materiais se comportam quando a gravidade apresenta níveis muito reduzidos.

Agricultura espacial ganha importância

Os estudos em microgravidade também podem contribuir para futuras missões espaciais de longa duração. Nesse contexto, a chamada agricultura espacial busca desenvolver formas de produzir alimentos fora da Terra. Para isso, os pesquisadores precisam entender como as plantas respondem a condições diferentes das encontradas no campo.

Assim, experimentos realizados em ambientes de gravidade reduzida podem ajudar a desenvolver sistemas de cultivo para missões espaciais. A PSM-R integra o Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB). O programa seleciona experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais.

Plataforma será lançada por foguete brasileiro

A PSM-R será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O foguete tem aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e massa de cerca de 1,6 tonelada.

Segundo as simulações utilizadas na preparação da missão, o veículo poderá alcançar aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. Enquanto isso, a carga útil formada pela plataforma de microgravidade terá massa estimada em 401 quilos.

Equipamentos serão monitorados durante o voo

Durante o lançamento, sistemas de telemetria e rastreamento acompanharão o comportamento do veículo e da plataforma. Depois do retorno, os pesquisadores poderão recuperar os equipamentos e analisar os experimentos realizados durante o período de microgravidade.

Esse processo representa justamente o principal objetivo da segunda fase da Operação Potiguar. A primeira etapa ocorreu em 2024. Naquela ocasião, a missão concentrou os esforços na verificação de procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento.

Recuperação pode ampliar pesquisas

A possibilidade de recuperar a plataforma amplia as oportunidades para novas missões científicas. Isso porque os pesquisadores podem analisar diretamente os equipamentos e os experimentos após o voo. Além disso, podem avaliar os dados obtidos durante o período de microgravidade.

A plataforma reúne diferentes sistemas para funcionamento e recuperação. Entre eles estão paraquedas, módulos de experimentos, controle, sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado ioiô.

O dispositivo auxilia no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil. A operação envolve cerca de 160 militares e servidores civis. Eles participam das etapas de preparação, integração, lançamento e recuperação.

Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

O CLBI coordena os procedimentos de segurança, rastreamento e telemetria do veículo durante a missão. Inaugurado em 1965, o centro foi o primeiro local de lançamentos espaciais da América do Sul.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a estrutura já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos.

Por enquanto, a Operação Potiguar 2 concentra seus esforços no teste do sistema de recuperação da plataforma.

No entanto, o desenvolvimento da PSM-R pode ampliar a capacidade brasileira para realizar experimentos em microgravidade. Além disso, no futuro, a tecnologia pode abrir espaço para pesquisas voltadas à agricultura e à produção de alimentos em ambientes extremos.

(Com BPMoney)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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