Foto: Felipe Rosa/Embrapa Pecuária Sul

De olho na sustentabilidade: capacitação de produtores visa uma pecuária com baixa emissão de carbono

Débora Damasceno
Débora Damasceno
Foto: Felipe Rosa/Embrapa Pecuária Sul

#souagro| O Dia de Campo “A Pecuária em Sistemas Sustentáveis de Produção”, realizado pela Embrapa Pecuária Sul na última semana, em Bagé, no Rio Grande do Sul, apresentou tecnologias e ferramentas que podem contribuir para alcance das metas do Plano ABC+RS. Para o Coordenador do Comitê Gestor Estadual do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante, o Dia de Campo promoveu a capacitação de muitos produtores rurais que são os principais responsáveis em ampliar áreas do estado com adoção de tecnologias que visam o desenvolvimento de uma agropecuária com baixa emissão de carbono, ou seja, mais sustentável.

Jackson Brilhante também destacou a qualidade do conteúdo apresentado no evento em Bagé, os pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul apresentaram ao menos três das oito tecnologias que compõe o Plano ABC+RS: Práticas de Recuperação de Pastagens Degradadas, Sistemas de Integração e Terminação Intensiva. “A presença de mais de 500 pessoas no evento demonstra grande interesse do produtor gaúcho no conhecimento técnico para aumentar a produtividade, a eficiência e a resiliência dos sistemas de produção agropecuário frente às mudanças climáticas”, ressaltou.

 

Para o Chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, o evento foi uma importante oportunidade para produtores, técnicos e estudantes conhecerem algumas tecnologias que já podem ser aplicadas no campo, com retorno produtivo, econômico e ambiental. “E a pecuária tem um papel extremamente importante para a sustentabilidade, seja com a intensificação da produção ou em sistemas integrados com lavouras ou florestas”, relatou.

Em uma das estações do Dia de Campo, intitulada “Pasto 365: forragem o ano inteiro”, foram tratadas as estratégias para melhorar e qualificar a nutrição dos animais, bem como alguns aspectos relacionados a sistemas integrados entre pecuária e lavoura. Segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Danilo Sant’Anna, tecnologias como o Pasto sobre Pasto visam aumentar a oferta de alimentos aos animais e ampliar o número de dias de pastejo em uma área, e também propiciam outros ganhos ambientais, como a aceleração dos processos de melhoria do solo. Na mesma estação, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Giovani Theisen apresentou resultados de mais de 10 de experimentos em integração lavoura e pecuária. Segundo ele, resultados mostram que com a utilização de animais na fase de pastagem ocorre uma melhora substancial dos solos, especialmente no incremento de matéria orgânica.

Outra estação apresentou as ações e pesquisas em melhoramento genético animal, que buscam identificar animais mais eficientes para diferentes sistemas de produção. Entre os trabalhos da Embrapa Pecuária Sul, o analista, Roberto Collares, apresentou as provas de avaliação de desempenho que são realizadas há mais de 20 anos no centro de pesquisa. De acordo com Collares, estas provas servem para identificar reprodutores com genética superior quando submetidos a um mesmo ambiente e tratamento, como a Prova de Avaliação a Campo (PAC) e a Prova de Eficiência Alimentar (PEA). Já a pesquisadora Cristina Genro ressaltou a nova prova que vem sendo realizada na Embrapa, Prova de Emissão de Gases (RS), que visa identificar entre reprodutores jovens aqueles que emitem menos metano por quilo produzido.

A recuperação de pastagens degradadas, em especial dos campos naturais do Sul, também foi enfocada, especialmente no controle do capim-annoni, uma planta invasora que se espalhou pelos campos e pastagens da região trazendo prejuízos econômicos e ambientais. Segundo o pesquisador Naylor Perez, para um efetivo combate é preciso aliar diferentes estratégias, como a aplicação seletiva de herbicidas, que pode ser feita pela máquina Campo Limpo, desenvolvida pela Embrapa e também com a enxada química, quando a infestação ainda é pequena. Além disso, o pesquisador salientou a necessidade de manter o campo natural ou pastagem plantada em boa quantidade e qualidade, por meio da fertilização e cuidados com manejo, impedindo assim a infestação desta planta invasora. “Sempre aconselhamos a prevenir para evitar que a infestação se alastre, seja com cuidados quando ainda há poucas plantas em uma área, ou impedindo sua chegada com ações como deixar novos animais em uma área de quarentena para não infestar a propriedade com sementes do annoni”, afirma Perez.

(Com Seagri/RS)

(Débora Damasceno/Sou Agro)

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