Na contramão de outras regiões: Estado tem produção de leite acima da média

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Criação de bovinos à base de pasto garante alimento de qualidade aos animais e mais autonomia para os produtores. (Foto: Aires Mariga / Epagri)

 

Santa Catarina tem se consolidado como um dos principais produtores de leite do país. Segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal/IBGE, entre 2014 e 2023 o Estado passou de 2,983 bilhões para 3,206 bilhões de litros, um aumento de 7,5%, crescimento que não se repete em outras mesorregiões e microrregiões produtoras de leite. Nesse cenário, a região Oeste é responsável por quase 80% da produção catarinense, com destaque para cidades como Concórdia, Guaraciaba, Itapiranga e São João do Oeste.

Para o gerente do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), e presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL), Vagner Miranda Portes, diversos fatores contribuem para estes resultados. “No Oeste, temos um clima favorável e um parque industrial tecnológico apto para receber grandes volumes de produção. Além disso, aproximadamente 90% do leite produzido no Estado é proveniente da agricultura familiar, esta característica, somada ao cooperativismo, ao apoio dos laticínios, à infraestrutura técnica de órgãos como a Cidasc, que outorga um status sanitário diferenciado ao nosso Estado e a Epagri, sem dúvida, são fundamentais para estes índices”, afirma.

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Vagner destaca o trabalho realizado pela Epagri, que atua nas áreas de pesquisa, extensão e educação, ajudando a encontrar soluções para o setor produtivo, difundindo conhecimento e novas tecnologias. “As políticas públicas disponibilizadas pela Secretaria da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Sape), operacionalizadas pela Epagri, ajudam os produtores a incorporar novas tecnologias, melhorar suas estruturas e aperfeiçoar o sistema produtivo”, diz.

Sistema de produção de leite à base de pasto

Para que os produtores obtenham mais renda e menos custos, a Epagri recomenda a criação de gado à base de pasto. Esse método de criação de bovinos de leite utiliza pastagens perenes de verão, como o Tifton 85 e o Amendoim-Forrageiro, com sobressemeadura de pastagens anuais de inverno. A alimentação dos animais é complementada com silagem em algumas épocas do ano, além da suplementação com ração.

Vagner explica que através desse método é possível oferecer aos animais um alimento mais barato, com alto valor nutricional, por um período maior de tempo. “Esse sistema oferece mais autonomia ao produtor, que passa a depender menos de insumos externos e mantém o poder de decisão em períodos de crise. Isso permite que ele preserve a rentabilidade mesmo em cenários adversos, ao contrário de outros modelos, nos quais o manejo se torna mais complexo”, avalia.

O médico-veterinário atribui ao modelo de produção à base de pasto um dos pilares do sucesso da produção leiteira em Santa Catarina. “A maioria dos sistemas produtivos do Estado utilizam esse sistema, o que nos leva a acreditar que ele é uma mola propulsora para a produtividade catarinense”.

 

(Com Epagri)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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