Falsa couve: Após consumo família vai para UTI

O que seria apenas uma confraternização familiar no interior de Minas Gerais terminou em tragédia: quatro pessoas passaram mal após ingerirem uma planta tóxica conhecida como “fumo bravo”, confundida com couve durante o preparo do almoço. Três das vítimas permanecem internadas em estado grave na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio, no Alto Paranaíba. Uma mulher de 37 anos chegou a sofrer uma parada cardiorrespiratória e foi reanimada às pressas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, os sintomas começaram minutos após a refeição: mal-estar generalizado, dormência nas pernas, fraqueza muscular, dificuldade respiratória e visão turva. A planta, altamente tóxica, é popularmente conhecida como “fumo bravo” e cresce de forma espontânea em muitas áreas rurais — e o mais perigoso: tem folhas muito semelhantes às da couve comum, largamente consumida em todo o país.
Um erro comum — e perigoso
De acordo com a Secretaria de Saúde do município, a suspeita é de envenenamento acidental. A planta foi encontrada ao lado da cozinha da residência rural onde o almoço foi preparado. O material foi recolhido pela Polícia Civil e será analisado por peritos para confirmar a espécie e os compostos tóxicos presentes.
“Visualmente, ela lembra muito a couve manteiga, principalmente quando colhida ainda jovem. Mas trata-se de uma planta extremamente perigosa”, alertou Luciana Rocha, secretária de Saúde de Patrocínio. A polícia investiga o caso como envenenamento acidental por ingestão de planta tóxica.
O que é o “fumo bravo”?
Embora tenha nomes populares diferentes em diversas regiões do país, o “fumo bravo” refere-se geralmente a espécies da família Solanaceae, a mesma do fumo-de-rolo, mas com alta toxicidade. Algumas dessas plantas contêm alcaloides tropânicos, como atropina, escopolamina e hiosciamina, substâncias que atuam no sistema nervoso central e podem ser letais, mesmo em pequenas quantidades.
Esses compostos são capazes de causar intoxicação aguda, levando à falência respiratória, paralisia muscular e alterações neurológicas severas. Não é a primeira vez que casos como esse são registrados em zonas rurais brasileiras.
Um alerta ao agronegócio e à população rural
Para especialistas em agricultura e toxicologia, a situação reforça a importância de identificação correta de plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e também de espécies espontâneas que crescem em hortas e sítios.
“No campo, é comum o aproveitamento de plantas que brotam naturalmente. Mas, sem o conhecimento adequado, esse hábito pode ser fatal”, comenta o engenheiro agrônomo Luiz Andrade, que atua com educação rural na região do Triângulo Mineiro.
Andrade também destaca que o problema não se limita a produtores: “Feiras livres, quitandas e até entregas de produtos orgânicos podem, sem saber, estar comercializando plantas erradas. É preciso treinamento e atenção redobrada.”
Como evitar?
* Evite colher folhas que você não tenha certeza da origem.
* Não consuma plantas silvestres sem confirmação da espécie.
* Capacite funcionários de sítios e chácaras sobre identificação de plantas.
* Se tiver dúvidas, consulte agrônomos ou extensionistas rurais.
* Em caso de suspeita de intoxicação, procure atendimento médico imediatamente.











