Com custos em alta e crédito restrito, produtores iniciam safra sob pressão

Fernanda Toigo

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Colheita do milho na região de Santa Rosa - Foto: Valmir Thume/Gerente regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa

Com 98,3% da safrinha já colhida, o Brasil dá início ao novo ciclo agrícola. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o plantio do milho verão 2025/26 já alcança 28,2% da área prevista para a temporada, com destaque para o Rio Grande do Sul (39%), Paraná (9%) e o início da semeadura em Santa Catarina, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis.

Apesar do avanço no campo, os dois primeiros meses do Plano Safra 2025/26 (julho e agosto) registraram queda nas contratações de crédito rural em operações de custeio e investimento: R$ 86,4 bilhões foram contratados no período, em comparação a R$ 124,7 bilhões no mesmo intervalo de 2024, uma retração de cerca de 31%, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Com esses dados, fica claro que o momento exige não só atenção ao preparo técnico da terra, correção de solo, escolha de sementes, aplicação de insumos, mas também um planejamento financeiro robusto. “O crédito, quando mais caro ou mais restrito, impacta diretamente a capacidade do produtor de planejar a próxima safra”, afirma Victor Lemos Cardoso, Head Comercial da Agree.

O seguro rural também registrou recuo expressivo: a área segurada caiu 38% (de 2,1 para 1,3 milhão de hectares) e o valor segurado teve retração de 43% (de R$ 16,1 bilhões para R$ 9,1 bilhões) em julho e agosto de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Além disso, os custos operacionais do milho têm pressionado a margem do produtor. No Mato Grosso, por exemplo, o Custo Operacional Total da lavoura chegou a R$ 5.372,17/ha, com elevação mês a mês. Esse cenário aumenta o risco de os preços da saca não acompanharem as despesas.

Em um cenário em que cada decisão pesa no resultado final da safra, contar com informação organizada, análises precisas e acesso ágil ao crédito deixa de ser diferencial e passa a ser questão de sobrevivência. “Nosso objetivo é eliminar barreiras no acesso ao crédito e garantir que o produtor possa focar no que realmente importa: produzir com eficiência e rentabilidade, mesmo diante de custos crescentes e margens pressionadas”, destaca Victor Lemos Cardoso.

No fim, preparar a terra e organizar as finanças não são ações separadas, mas interdependentes. Quem organiza ambas as frentes com antecedência entra na safra com mais segurança, menor exposição a riscos climáticos ou de mercado e maior chance de ganhos consistentes. “O diferencial está em enxergar esse momento como início não apenas de um ciclo agrícola, mas também financeiro”, conclui Cardoso.

(Assessoria de Imprensa Agree)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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