Pecuaristas brasileiros lançam Carta Aberta buscando reconhecimento e esclarecimento

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Divulgação/Forbes Agro

Em um movimento de autodeclaração e engajamento, pecuaristas brasileiros de diferentes biomas – Amazônia, Cerrado e Pantanal – lançaram uma Carta Aberta e um “Chamado à Ação” em Brasília, no evento “Vozes da Pecuária”, realizado na última quarta-feira (24), no IICA – Instituto Interamericano de Cooperación para la Agricultura, em Brasília.

A iniciativa, organizada pela Pecuária Tropical pelo Clima, marca um ponto de virada na narrativa do setor, que busca ser reconhecido como parte da solução climática e não como agente de degradação, especialmente em um ano crucial para a COP30.

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A Carta Aberta, apresentada pela pecuarista Carmen Bruder, é um consenso entre os produtores e assume compromissos públicos claros perante a sociedade e a comunidade internacional.

“A pecuária tropical brasileira é diversa, resiliente e parte da solução climática. Precisamos ser reconhecidos por isso”, afirmou Carmen Bruder.

Os compromissos centrais e a quebra da desinformação

O documento da pecuária brasileira estabelece uma agenda de baixo carbono, inclusão social e transparência, atacando a desinformação que historicamente atinge o setor. Os principais compromissos firmados são:

Pecuária sustentável: Promover a atividade com foco em responsabilidade climática e social.

Combate à ilegalidade: Combater o desmatamento ilegal e resgatar o direito de contar a própria história.

Eficiência e rastreabilidade: Elevar a eficiência produtiva e ampliar a rastreabilidade da carne, garantindo que a produção em larga escala seja responsável.

Economia local: Fortalecer a economia de suas respectivas regiões.

Por outro lado, o texto não se omite em apontar os gargalos. Os produtores cobram a superação da insegurança jurídica, a melhoria da infraestrutura precária e a eliminação de barreiras comerciais injustas impostas por mercados internacionais.

Incentivos econômicos e defesa institucional

O “Chamado à Ação”, lido pelo pecuarista e pesquisador Ubarno de Abreu, defendeu a necessidade urgente de incentivos para quem já pratica a preservação e cumpre a lei.

“É preciso criar mecanismos econômicos, como pagamentos por serviços ambientais e acesso ao mercado de carbono, para valorizar quem cumpre a lei”, defendeu Abreu, ressaltando que o setor deve ter maior segurança jurídica.

Os pecuaristas, por meio de seus representantes, como a recém-criada União Nacional da Pecuária (UNAPEC) – que representa 60% do rebanho nacional –, reforçam a necessidade de investimento contínuo em ciência e inovação e uma defesa institucional da reputação do agronegócio para o mercado, que demanda carne sustentável.

A voz do campo: liderança, cultura e inovação

O evento em Brasília serviu de plataforma para que os produtores contassem suas histórias, mostrando a diversidade e a modernidade da pecuária tropical.

Pioneirismo e coragem: Relatos como o de Raul Almeida Morais Neto (Cerrado) e Leonardo Leite de Barros (Pantanal) destacaram a epopeia e a coragem do pecuarista, que transformou o Brasil em uma potência global no agro.

Protagonismo feminino: Ida Beatriz (Pantanal) enfatizou o papel da mulher na pecuária como protagonista que traz “ciência, estratégia e um olhar singular para as pessoas e para a natureza”.

Ciência na terra: Mauro Lúcio Costa (Amazônia) resumiu a filosofia: “Antes de aprender a lidar com gado, a primeira coisa que um pecuarista precisa aprender é depositar fé na terra — porque com conhecimento, a terra vai nos responder.”

A mobilização da Pecuária Tropical pelo Clima é vista como um passo estratégico para o fortalecimento da imagem do Brasil no mercado global.

O documento, que encerra com o convite para construir um futuro “justo, sustentável e próspero”, busca o diálogo com governos e compradores para ampliar a competitividade da carne em meio às exigências ambientais internacionais.

(Com Forbes Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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