Após tornado, Copel enfrenta maior desafio elétrico dos últimos anos

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Copel

O Paraná enfrenta uma das maiores crises climáticas dos últimos anos, com impactos severos sobre o sistema elétrico estadual. Um ciclone extratropical, acompanhado por uma sequência de tempestades e ventos de até 120 km/h, causou estragos em praticamente todas as regiões paranaenses entre os dias 21 e 22 de setembro — os últimos da estação de inverno. Desde então, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) atua de forma ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia elétrica, já tendo ultrapassado a marca de 11,4 mil serviços de religação.

A força dos ventos e o volume de chuva fizeram com que, em apenas dois dias, dez estações meteorológicas do Simepar registrassem o total esperado de chuva para o mês inteiro. Em doze cidades, as rajadas ultrapassaram os 100 km/h. Em Santa Maria do Oeste, a situação foi ainda mais extrema: um tornado classificado como F1 na escala Fujita destruiu casas, plantações e deixou moradores sem luz e água por mais de 24 horas.

Estrutura danificada em todo o estado

Os danos à infraestrutura elétrica são extensos. Somente em Bandeirantes, no Norte do estado, duas torres de alta tensão caíram com os ventos. Em todo o Paraná, 322 postes foram destruídos, a maioria devido à queda de árvores. Em Curitiba, o número de árvores derrubadas chegou a 20.

No auge da crise, às 7h da manhã de segunda-feira (23), mais de 1,1 milhão de domicílios estavam sem energia. Graças ao esforço de 2,7 mil eletricistas, apoiados por técnicos e operadores da Copel, esse número caiu para 30 mil até a tarde de terça-feira (24). A distribuição das unidades ainda afetadas mostra a extensão da crise:

* Centro-Sul: 11,4 mil
* Norte: 7,1 mil
* Leste: 4,2 mil
* Noroeste: 3,6 mil
* Oeste e Sudoeste: 3,6 mil

Contingência em ação

A Copel mantém em execução um plano de contingência que prioriza a religação de serviços essenciais, como hospitais e unidades de saúde, além de ocorrências com risco à vida e regiões com grande concentração de consumidores.

Apesar dos desafios logísticos — já que todas as regiões do estado foram atingidas simultaneamente, dificultando o deslocamento de equipes —, a empresa afirma que o trabalho seguirá até que o último consumidor tenha o fornecimento restabelecido.

A companhia também destaca os investimentos em tecnologia e monitoramento climático, que vêm sendo intensificados para enfrentar eventos extremos, cada vez mais comuns. Ferramentas de previsão meteorológica e hidrológica estão sendo usadas para orientar e antecipar ações em campo, aumentando a eficiência no enfrentamento de catástrofes naturais.

Santa Maria do Oeste: epicentro do desastre

O município de Santa Maria do Oeste, na região central do estado, foi um dos mais atingidos. O Simepar confirmou que o fenômeno que devastou a cidade foi um tornado de categoria F1, com ventos estimados em até 120 km/h. De acordo com o prefeito Oscar Delgado, os danos são extensos e já estão sendo catalogados para decretar situação de emergência.

“Nossa equipe fez um mutirão para levantar o número de famílias afetadas e os prejuízos. Muitas casas foram destelhadas, e a zona rural foi muito impactada”, relatou o prefeito.

Desafio continua

Mesmo com milhares de atendimentos já realizados, o trabalho da Copel está longe de terminar. As equipes seguem atuando em regime de urgência, e a empresa reforça o compromisso de manter a população informada e protegida, enquanto trabalha para reconstruir a estrutura elétrica do estado.

Diante da força da natureza, o episódio deixa um alerta: eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes, e a preparação técnica, o investimento em infraestrutura e o apoio emergencial serão cada vez mais decisivos para proteger a população e garantir serviços essenciais.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias