Agroindustrialização pode render parcerias entre cooperativas do Paraná e Paraguai

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

FOTOS: Samuel Milléo Filho e Gisele Barão

A convite do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, a reunião das diretorias da Ocepar e da Fecoopar foi realizada no Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, em Curitiba. “É um prazer recebê-los aqui. É uma reunião histórica da diretoria do Sistema Ocepar sendo realizada aqui no Palácio Iguaçu”, declarou Ratinho Junior ao dar as boas-vindas. Além do governador, também participaram da reunião o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e comitiva, que cumpriam missão oficial no Paraná. Ratinho Junior agradeceu a diretoria do Sistema Ocepar por ter prestigiado a presença da comitiva paraguaia. “O Paraguai é um amigo do Paraná e juntos temos muitas oportunidades, especialmente no setor de produção de alimentos”, disse, na abertura da reunião.

O governador apresentou a diretoria do Sistema Ocepar ao presidente paraguaio, destacando o papel da instituição. “O Sistema Ocepar nos orgulha porque coordena todo o cooperativismo do Paraná. Faz um planejamento de longo prazo e traça estratégias. O cooperativismo é um capitalismo humanitário, que distribui renda e deixa a riqueza no local onde é produzida, fazendo o pequeno ter possibilidade de crescer. E fez algo que o restante do Brasil ainda não aprendeu a fazer que é industrializar os nossos alimentos. É uma grande oportunidade que temos aqui de fazer projetos juntos com o Paraguai, que também tem uma vocação cooperativista. Nossas cooperativas passaram a ter tamanho de multinacionais e precisamos ir além das fronteiras. Se a gente puder começar pela América do Sul é muito bom”, destacou o governador.

Fortalecer laços

“É uma visita histórica. A nossa missão é fortalecer a relação com o Brasil, que já é o maior parceiro do Paraguai, e com o Paraná, que é o maior parceiro entre todos os estados brasileiros”, declarou o presidente paraguaio. Peña informou que o Paraguai tem uma base produtiva muito similar ao estado do Paraná.

“As nossas maiores riquezas são a terra, a água e a gente que trabalha a terra. Todo o progresso, todo o desenvolvimento que aconteceu nos últimos anos é pequeno em comparação ao que pode ser feito. O privilégio de produzir alimentos não tem em todas as regiões do mundo. O modelo cooperativo é um sucesso no estado do Paraná e, também, no Paraguai. Mas há uma sensação de que temos que fazer ainda muito mais, queremos fortalecer os laços com o Paraná e com as cooperativas. Queremos convidá-los a irem ao Paraguai, um país amigo, aberto, ágil, onde o governo quer que o empresário tenha possibilidade de trabalhar e gerar riqueza. O governo paraguaio faz o maior esforço possível para não complicar.  É um modelo que vem dando muito resultado, com crescimento acima de 4% ao ano, este ano devendo chegar a quase 5%”, informou.

Santiago Peña disse que o Paraguai tem hoje a responsabilidade de produzir alimentos para 100 milhões de pessoas no mundo. Mas, a exemplo do que já acontece no Paraná não quer mais exportar o grão. “Agora, o Paraguai já não quer exportar o grão, quer converter a proteína vegetal em proteína animal. A combinação da produção de proteína vegetal, baixos impostos, energia elétrica sustentável e abundante a preços competitivos, taxas de juros baixos e um ambiente laboral amigável faz do Paraguai um país para receber os investimentos do estado do Paraná e do mundo todo. Pela proximidade, o Paraná é um parceiro natural e queremos fortalecer esse vínculo”, enfatizou, convidando os diretores do Sistema Ocepar e os presidentes de cooperativas presentes a irem visitar o país.

Ferrovia

O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, agradeceu a oportunidade e destacou a missão das cooperativas, que é organizar economicamente as pessoas para que elas tenham mais renda, conquistem independência e posição social melhor. Ele citou os números do setor cooperativista paranaense, com destaque para a participação em 65% da safra de grãos e em 45% da produção de carnes. Informou também que as cooperativas paranaenses têm 157 agroindústrias. “Obviamente, isso pode propiciar parcerias com o Paraguai. Nós queremos ganhar juntos”, frisou.

Ricken sugeriu um projeto conjunto entre Paraná e Paraguai na área de infraestrutura. “Nós não temos uma confluência fluvial favorável para ir do Paraguai para Paranaguá, mas podemos ter uma ferrovia moderníssima em duas vias, ida e volta, para parte da riqueza que o Paraguai produz não precisar mais ser transportada de balsa, que sabemos as limitações deste tipo de transporte”, pontuou. O presidente do Sistema Ocepar acrescentou que, tendo uma saída por Paranaguá, há muito mais possibilidade de explorar os mercados da África e da Europa. “Isso pode ser uma meta nossa”, disse. Ele lembrou que o governo do Paraná já tem uma parte da ferrovia, que é a Ferroeste. “Bastaria termos empresários para investir. Hoje, o Porto de Paranaguá recebe prêmios por administração, mas nossa dificuldade é chegar até o porto em condições viáveis e com grandes volumes. Nós podemos pensar em conjunto com o Paraguai para, aí sim, termos um corredor de progresso”.

A reunião contou com a presença de presidentes de 30 cooperativas paranaenses dos ramos agropecuário, crédito e saúde. Participam também dirigentes das entidades que, além do Sistema Ocepar, também integram o G7 (Faep, ACP, Faciap e Fecomercio).

(Por Assessoria Comunicação Sistema Ocepar e Jonathan Campos / AEN)

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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