Soja mato-grossense abastece mercado crescente de suínos da China

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: reprodução/Aprosoja

A virada de chave na suinocultura da China pode impulsionar a demanda da soja mato-grossense. A avaliação é do analista de mercado e fundador da Pátria AgroNegócios, Matheus Pereira, durante palestra promovida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).

O evento foi mediado pelo vice-coordenador da Comissão de Política Agrícola, Tiago Stefanello, e a gerente da comissão, Rosicler Saporski. A gerente destacou que nas próximas semanas uma nova palestra será realizada para os associados da Aprosoja-MT. Após a definição, a data e horário serão informados para que os produtores possam participar e tirar suas dúvidas sobre o mercado agrícola.

“É importante que o produtor participe para manter-se atualizado do mercado de commodities não só no Mato grosso, mas também com informações dos principais players do mercado. As análises com estimativas de oferta e demanda de grãos são de suma importância para compreender as movimentações do mercado agrícola, a fim de tomar decisões mais assertivas. Quanto mais informações sobre cenários políticos e econômicos, mais autonomia o produtor rural adquire para tomada de decisões”, afirma Rosicler.

Durante sua exposição, Matheus destacou que os suinocultores da China voltaram a ter lucro na atividade, o que deve impulsionar o setor e aumentar a demanda pela soja em grãos do Brasil. Além disso, Matheus acredita que as margens de esmagamento devem voltar a ficar no positivo, contribuindo para o aumento da demanda. Hoje, segundo o palestrante, a China tem capacidade de dobrar o volume esmagado de soja anualmente, devido a infraestrutura de processamento no país. O produto final da soja esmagada na China, isto é, o farelo, tem destino certo, pois cerca de 54% desse produto alimentam a cadeia produtiva de suínos e 30% a de aves.

“Ano passado, o chinês não acelerou com intensidade a demanda por farelo, em especial na cadeia suína, porque o suíno estava dando prejuízo. E, agora volta a construir essas margens teóricas da lucratividade da suinocultura da China. Não só isso, a oferta [de suínos] sob demanda está no campo negativo”, enfatizou Matheus. O destaque na suinocultura se deve ao plantel de 1,2 bilhão de suínos com tendência de reconstrução e crescimento, com retorno lucrativo para o produtor.

O analista pontuou também que a demanda da China é pelo grão de soja in natura, não pelo grão já esmagado, isto é, pelo farelo. Esse tem como maior exportador do mundo a Argentina, que retornou ao mercado nesta safra após uma grande quebra no ano anterior. Portanto, o país vizinho não atende os parâmetros do gigante asiático para, eventualmente, suprir sua demanda pela oleaginosa.

Ainda segundo o palestrante, o Brasil possui excedente produtivo para abastecer a elevada demanda chinesa, sendo um grande diferencial do país em comparação aos demais players de commodities. O excedente deve-se a elevada capacidade produtiva, de qualidade e formação de estoque no Brasil. Assim, Mato Grosso tem grande responsabilidade, em vista de ser o maior produtor do grão no país, pois, abastece grande parte do volume demandado.

O analista ainda minimizou temores de possíveis problemas sanitários no “pós-pandemia” na China, que poderia dificultar o país asiático a engrenar novamente sua economia, reduzindo o seu consumo. “Na percepção da Pátria, não afeta diretamente a demanda para este ano em específico da soja brasileira”, completou.

Além disso, Matheus destacou que em janeiro de 2024, a China aprovou o maior pacote de estímulo econômico de sua história, em mais de um trilhão de dólares. O mercado chinês busca se recuperar e acelerar a economia. Ainda de acordo com Matheus, o consumo deve crescer 3,4% neste ano no país asiático, o que significa um incremento da demanda da soja mato-grossense.

Por Aprosoja 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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