O limão que guarda o suco em pequenas pérolas e pode valer até R$ 1,2 mil o quilo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Agricultura/SP

Você já imaginou um limão que não tem gomos como os tradicionais e guarda o suco em pequenas “pérolas” que estouram na boca? Essa é a principal característica do limão caviar, uma fruta exótica originária da Austrália que vem conquistando espaço na alta gastronomia e despertando o interesse de produtores rurais. Valorizado por chefs e restaurantes, o fruto pode alcançar preços entre R$ 400 e R$ 1.200 o quilo.

“Ao contrário de outros citros, o caviar não possui suco, por isso sua destinação à alta gastronomia para finalização de receitas. Sua polpa tem pequenas vesículas que se parecem com o caviar e quando consumidas estouram na boca e liberam um sabor levemente ácido. As cores da casca e da polpa podem variar em tonalidades entre marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado”, explica a pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, Marinês Bastianel.

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O ingrediente que conquistou os chefs, já faz parte do menu do sushi chef Allan Beckmann, do restaurante Satori Omakase. Para ele, o limão caviar vai muito além de um ingrediente exótico e se tornou uma ferramenta criativa para a construção de experiências gastronômicas.

“A textura dele, quase lúdica, dialoga naturalmente com preparos que valorizam pureza, contraste e precisão. Como no omakase, que ele pode ser mais do que um acabamento bonito, torna-se um elemento de linguagem. Ao lado de um peixe branco, de uma vieira ou de um niguiri cuidadosamente montado, ele realça o sabor sem encobrir a identidade do ingrediente principal.”

Segundo Allan, o limão caviar amplia o repertório técnico e sensorial dos chefs, permitindo finalizações mais refinadas e composições contemporâneas. O crescente interesse de restaurantes pelo fruto reflete uma gastronomia cada vez mais conectada à experiência do cliente e à busca por ingredientes capazes de unir sabor, textura e apresentação.

Da alta gastronomia para o campo

De olho no potencial desse mercado, o Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), selecionou a primeira variedade de limão caviar registrada no País. Chamada Faustrime, a cultivar foi registrada em 2023 e segue como a única variedade desse tipo presente no Registro Nacional de Cultivares (RNC). A expectativa é que ela chegue ao mercado ainda este ano.

Trata-se de um material que atende a nichos de mercado e, por conta desse perfil, abre novas oportunidades aos citricultores brasileiros, já que a variedade do IAC tem potencial para a produção nacional do fruto. Sua comercialização tem foco nas capitais brasileiras. No exterior, é consumido na União Europeia, Estados Unidos e Japão.

Ele também é chamado Finger lime, como é conhecido fora do Brasil. A tradução é lima de dedo, por conta do formato alongado. A variedade Faustrime pertence à espécie Microcitrus australasica, mesma família das frutas cítricas tradicionais, como laranjas, limões e tangerinas. O Siciliano e o Tahiti pertencem ao gênero Citrus.

Por trás da seleção da variedade Faustrime está um patrimônio genético único. O Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis, mantém o maior Banco de Germoplasma de citros do mundo, com cerca de 1.700 materiais genéticos trazidos de diferentes países. É essa diversidade que permite aos pesquisadores desenvolver e selecionar novas variedades, como o limão caviar, fruta originária da Austrália. Apesar do nome, ele pertence a uma espécie diferente dos limões mais conhecidos pelos consumidores, como o Siciliano e o Tahiti, embora faça parte da mesma família das frutas cítricas.

Este tipo de limão tem produção precoce e pode ser colhido a partir do segundo ano de plantio, mas a maior produtividade é obtida a partir de quatro anos do ciclo. “As características das árvores são bem diferentes de outros citros e apresentam muitos espinhos nos pés, o que exige maior cuidado do produtor durante a colheita. A plantas possuem, ao longo do ano, múltiplas floradas resultando nos frutos”, relata a pesquisadora.

Ganhos para a saúde dos citros

Mundialmente, cientistas vêm trabalhando com Microcitrus nos Programas de Melhoramento Genético, principalmente de porta-enxertos, porque o limão caviar tem mostrado uma tolerância maior ao Greening, doença que afeta a citricultura.

“Vimos vários estudos em países que estão produzindo novas combinações de porta-enxerto que tenham tolerância ao HBL (greening). Nesse caso, o ideal é adotar um sistema que combine porta-enxerto e a copa da planta tolerantes à doença”, acrescenta Bastianel.

Além da pesquisa desenvolvida pelo instituto, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento também atua para garantir a conformidade fitossanitária da cultura. Por meio da Defesa Agropecuária, são realizados os procedimentos relacionados à certificação fitossanitária e ao controle do trânsito vegetal, contribuindo para a segurança da produção e para o acesso dos produtores aos mercados nacional e internacional.

(Com Agricultura/SP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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