Câncer transmissível em peixes? Entenda!

Fernanda Toigo

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Foto: X/MSN

Pesquisadores identificaram pela primeira vez um caso de câncer transmissível em peixes de água doce. O estudo, publicado na revista científica Nature, mostrou que bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) que vivem no lago Memphremagog, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá, estão desenvolvendo um tipo de melanoma capaz de passar de um animal para outro.

A investigação teve início após biólogos e pescadores observarem, desde 2012, o aparecimento de manchas escuras e lesões elevadas na pele dos peixes. Exames laboratoriais confirmaram que se tratava de melanomas malignos e revelaram um fenômeno até então inédito nesse grupo de animais.

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As análises apontaram que entre 23% e 37% dos exemplares avaliados em diferentes períodos apresentavam o tumor. Inicialmente, os cientistas suspeitavam que a alta incidência estivesse relacionada à poluição ou à degradação da qualidade da água, já que a espécie costuma ser utilizada como indicador ambiental. No entanto, os testes genéticos mostraram outro cenário.

Os pesquisadores descobriram que os tumores encontrados em diferentes peixes possuem praticamente o mesmo material genético, enquanto apresentam grande diferença em relação ao DNA dos próprios hospedeiros. Esse padrão indica que as células cancerígenas estão sendo transmitidas diretamente entre os animais, sem a participação de vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos.

Segundo o estudo, trata-se do primeiro registro conhecido de um câncer contagioso em peixes e também do primeiro caso documentado em espécies de água doce. Os resultados ainda mostram que quase 80% das alterações genéticas identificadas nos tumores são compartilhadas entre indivíduos diferentes, reforçando a hipótese de uma única linhagem tumoral.

Os cientistas acreditam que a transmissão possa ocorrer durante o período reprodutivo, quando há maior contato físico entre os peixes. Outra possibilidade é que as células cancerígenas sobrevivam na água ou nos sedimentos do lago e acabem alcançando novos hospedeiros. Fatores como estresse ambiental e redução temporária da imunidade também podem favorecer o processo.

A investigação teve início após biólogos e pescadores observarem, desde 2012, o aparecimento de manchas escuras e lesões elevadas na pele dos peixes. Imagens: X/MSN

A pesquisa ainda indica que a linhagem tumoral provavelmente surgiu em outra região da América do Norte antes de chegar ao lago Memphremagog, já que seu perfil genético apresenta maior proximidade com populações de bagres encontradas nos estados norte-americanos de Maine e New Hampshire.

Apesar da descoberta, os pesquisadores destacam que ainda não é possível determinar o impacto desse câncer sobre as populações de peixes nem sua taxa de mortalidade. Novos estudos serão necessários para entender como a doença se espalha, sua origem e os possíveis efeitos para os ecossistemas de água doce.

(Com MSN)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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