Marco Temporal: Com placar de 4×2 STF suspende julgamento

Fernanda Toigo

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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

O placar que ontem terminou empatado, em 2 a 2, nesta quinta-feira, virou para 4 a 2 contra a tese que dificulta as demarcações, mas não é um ponto final na história. O STF suspendeu o julgamento do marco temporal, que só deve ser retomado na próxima semana.

O STF discute a tese que considera que a demarcação de terras só pode ocorrer se indígenas estivessem habitando o local em 5 de outubro de 1988. A teoria leva em consideração o artigo 231 da Constituição, que diz: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

Os indígenas rebatem e consideram que a posse histórica não tem relação com data. Em maio a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que estabelece o marco temporal. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

VOTOS

Até o momento, além de Barroso, os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin se manifestaram contra o marco temporal. Nunes Marques e André Mendonça se manifestaram a favor.

Moraes e Zanin votaram contra o limite temporal, mas estabeleceram a possibilidade de indenização a particulares que adquiriram terras de “boa-fé”. Pelo entendimento, a indenização por benfeitorias e pela terra nua valeria para proprietários que receberam do governo títulos de terras que deveriam ser consideradas como áreas indígenas.

CRÍTICAS

A indenização aos proprietários por parte do governo é criticada pelo movimento indigenista. Para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a possibilidade é “desastrosa” e pode inviabilizar as demarcações.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirma que a possibilidade de indenização ou compensação de território vai aumentar os conflitos no campo.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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