Guerra pode causar aumento no preço de produtos básicos da alimentação
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou aos holofotes de preocupação depois do fim do acordo de grãos entre os países que permitia um transporte seguro dos produtos. Com os ataques russos a armazéns e portos ucranianos, o mundo está com os olhos voltados para o conflito, afinal isso pode afetar os preços mundiais dos alimentos.
Mas o que muita gente quer saber é como de fato tudo isso afeta todas as nações. Para responder isso, nada melhor que um especialista no assunto.
“No geral a gente está falando de dois grandes produtores mundiais. A Rússia hoje é a terceira maior produtora mundial e Rússia e Ucrânia juntas representam quase 30% das exportações mundiais. Então o mundo não acessando esse trigo no mar negro ou tendo algumas preocupações em relação a buscar esse trigo a gente estaria falando num
volume muito grande de oferta que deixaria de vir no mercado com o momento que o mundo tem um aperto de oferta com redução dos estoques globais. Então isso pode causar um aumento muito significativo nos preços internacionais como um todo. No geral se a gente falar em não acessar essa oferta a gente tem poucas alternativas, a Europa vai ter um pouco de excedente pra exportar sim, mas não atende toda essa demanda que vem do mar negro. Estados Unidos e Canadá estão tendo problemas com suas safras. Austrália tem uma safra menor. Então no geral as alternativas hoje são bem pequenas. São escassas e não compensam”, explica Jonathan Pinheiro, consultor em gerenciamento de riscos, StoneX.
Além dessa possível “escassez” de grãos essenciais para a alimentação, também existe a preocupação com o aumento dos preços de produtos, isso porque, esses reflexos vão chegar ao consumidor final lá na gôndola do supermercado.
“O Cenário existe, né? O mundo como um todo apresentando preços mais altos a gente poderia ter uma paridade de importação mais elevada e uma paridade de exportação que acompanharia. Então o Brasil hoje ele trabalha com um preço que fica entre uma paridade de importação e uma paridade de exportação. Então o Brasil seria mais competitivo, poderia vender a preços maiores, sim, mas do lado comprador também seria um custo mais alto, teria preços mais elevados e isso no final para o consumidor final no geral seria um aumento dos preços dos produtos finais, da farinha, tudo teria como consequência um aumento das cotações”, finaliza Jonathan.











