Sicredi encerra 2025 com R$ 98,2 bilhões em crédito para economia verde

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Sistema Ocepar

O Sicredi encerrou 2025 com R$ 98,2 bilhões em saldo de carteira de crédito classificada como economia verde, um crescimento de 10,3% em relação ao ano anterior. O desempenho integra o Relatório de Sustentabilidade 2025, divulgado neste mês de abril, e consolida os avanços da instituição financeira cooperativa nos pilares Ambiental, Social e de Governança (ESG).

Do total da carteira verde do Sicredi, R$ 27,7 bilhões estão concentrados na categoria “Fortalecimento de Negócios em Regiões Vulneráveis”. O recorte reúne financiamentos destinados a micro e pequenas empresas localizadas em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional (0,786), onde o acesso ao crédito é determinante para a manutenção da atividade econômica e a geração de renda.

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A destinação desses recursos reflete a capilaridade territorial da instituição, que mantém presença física em mais de 2,2 mil municípios brasileiros. Em 236 cidades, o Sicredi é a única instituição financeira com atendimento presencial, ampliando o acesso ao sistema financeiro e reforçando seu papel no desenvolvimento econômico local.

Além da atuação nas regiões urbanas e de menor IDH, o crédito verde também tem papel estratégico no campo, especialmente no apoio a práticas produtivas mais sustentáveis. Os financiamentos voltados ao agronegócio somam R$ 43,1 bilhões, o equivalente a 44% da carteira verde da instituição. Desse total, R$ 20,8 bilhões estão vinculados à Produção Rural Familiar (Pronaf); R$ 10,4 bilhões, à agricultura de baixo carbono; R$ 6,9 bilhões, a mulheres produtoras rurais; e R$ 4,9 bilhões, a boas práticas agrícolas, como rotação de culturas e uso eficiente da água.

“A carteira de crédito para a economia verde traduz a estratégia do Sicredi de crescer de forma sustentável, gerando impacto positivo para pessoas, negócios e regiões onde estamos presentes. Por meio do crédito, apoiamos iniciativas que promovem inclusão financeira, desenvolvimento regional, práticas produtivas mais sustentáveis e a transição para uma economia de baixo carbono, com especial atenção ao agronegócio, estimulando a adoção de tecnologias, a eficiência produtiva e modelos mais sustentáveis no campo. Todo esse movimento está alinhado ao nosso modelo cooperativo e à realidade local”, afirma Gustavo Freitas, diretor executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi.

Esse olhar para a sustentabilidade produtiva também se reflete no incentivo ao empreendedorismo feminino, dentro e fora do meio rural. A carteira de crédito destinada a mulheres empreendedoras totalizou R$ 12,4 bilhões, contemplando micro, pequenas e médias empresas com 51% ou mais de participação feminina em sua composição societária.

Os financiamentos enquadrados no conceito de economia verde englobam operações de crédito classificadas a partir da taxonomia atualizada da Febraban. A metodologia considera critérios setoriais e programas com benefícios ambientais e sociais, alinhados a referências internacionais reconhecidas. No Sicredi, essa carteira está estruturada em três grandes frentes: Desenvolvimento Regional e Inclusão Social, Agronegócio Sustentável e Energia e Transição Climática, refletindo uma estratégia integrada de crescimento com geração de impacto positivo.

Mais de R$ 1 milhão por dia em investimento social

O Relatório de Sustentabilidade também destaca o investimento social do Sicredi, que superou R$ 409 milhões em 2025. O valor equivale a mais de R$ 1 milhão por dia direcionado às regiões onde a instituição atua, sendo aplicado pelas 100 cooperativas do Sistema.

Do total, R$ 313,3 milhões foram investidos por meio do Fates (Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social), enquanto R$ 83,9 milhões foram destinados ao Fundo Social, que apoiou mais de 8,3 mil projetos nas áreas de educação, cultura, esporte, meio ambiente, segurança e inclusão social, em consonância com os princípios do cooperativismo.

Educação e impacto social

Outro destaque do relatório são os Programas de Educação da Fundação Sicredi, que reforçam o compromisso com a formação cidadã desde a infância. Em 2025, o Programa A União Faz a Vida impactou mais de 570 mil de crianças e adolescentes e 47,4 mil professores, por meio de projetos educativos que estimulam a cidadania e o cooperativismo, com foco na escuta, na aprendizagem pela experiência, no trabalho colaborativo e na vivência de valores como diálogo, responsabilidade e participação comunitária.

Complementarmente, o Programa Finanças na Mochila fortalece a educação financeira como parte do desenvolvimento integral de crianças e jovens. Integrado à estratégia do Sicredi de promoção de uma vida financeira sustentável, a iniciativa oferece formação e assessoria pedagógica a professores, com base nas Ciências Comportamentais, permitindo que o tema seja trabalhado de forma interdisciplinar, alinhada ao currículo escolar e adaptada aos diferentes contextos brasileiros. Em 2025, o programa esteve presente em 657 escolas, de 179 municípios e 15 estados, impactando 81,5 mil estudantes e cerca de 4,4 mil professores.

“O relatório de 2025 reúne indicadores que evidenciam o impacto da atuação do Sicredi no desenvolvimento das pessoas e das comunidades, na inclusão social e na valorização de práticas ambientais responsáveis. Esses resultados reafirmam o cooperativismo como um modelo capaz de combinar sustentabilidade financeira com impacto social e ambiental positivo”, conclui Maria Reiniger da Luz, superintendente de Estratégia, Sustentabilidade e Inovação.

O Relatório de Sustentabilidade 2025 do Sicredi está disponível em www.sicredi.com.br/sustentabilidade. Sua elaboração segue referências reconhecidas internacionalmente, como os GRI Standards, principal parâmetro global para reportes de sustentabilidade; a Sustainability Accounting Standards Board (SASB), voltada a indicadores específicos do setor financeiro; e as recomendações da Task Force for Climaterelated Financial Disclosures (TCFD) para a divulgação de informações financeiras relacionadas às mudanças climáticas.

(Com Sistema Ocepar)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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