Após audiência, Fiep espera decisão técnica dos EUA

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) acompanhou, na segunda e terça-feira (6 e 7), a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da investigação da Seção 301, que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O diretor Paulo Roberto Pupo, que coordena o Conselho Temático de Negócios Internacionais, e o superintendente João Arthur Mohr estiveram em Washington, onde assistiram aos debates em que representantes de entidades brasileiras e americanas apresentaram seus argumentos em relação ao tema.
A presença deles na audiência complementou os esforços feitos pela Federação para minimizar os impactos para a indústria paranaense. Na semana passada, a entidade protocolou defesa por escrito na consulta pública aberta pelo USTR, em que destacou a importância de setores estratégicos da pauta exportadora paranaense, como madeira, móveis, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, tilápia e couro, entre outros.
Município reúne mais de 200 produtores
Nessa manifestação formal, a Fiep se posicionou contrária à medida, além de solicitar a inclusão dos principais produtos exportados pelo Paraná em uma eventual lista de exceções caso as tarifas sejam aplicadas. A entidade também reiterou a necessidade de evitar a dupla tributação de produtos já contemplados pela Seção 232, como parte do setor metalmecânico.
Dinâmica da audiência
Ao longo dos dois dias de audiência foram realizados 14 painéis – sete em cada dia – organizados por setores produtivos e temas específicos. Cada painel reuniu cinco expositores, entre representantes de associações brasileiras, entidades setoriais, empresas norte-americanas importadoras de produtos brasileiros e organizações dos Estados Unidos. Após as apresentações, os participantes responderam a questionamentos de representantes do USTR e de diversos departamentos do governo norte-americano, como Comércio, Agricultura, Tesouro, Trabalho, Estado, Saúde, Habitação e Small Business Administration.
Na avaliação da Fiep, a audiência evidenciou, de forma consistente, que os produtos brasileiros ocupam posição estratégica nas cadeias produtivas norte-americanas. Tanto representantes brasileiros quanto empresas e instituições dos Estados Unidos demonstraram que muitos desses produtos são essenciais para a indústria americana e não possuem alternativas de fornecimento capazes de atender, no curto prazo, às mesmas condições de qualidade, escala e competitividade.
Durante os debates, um dos principais argumentos apresentados foi que a eventual aplicação das novas tarifas elevará os custos de produção para empresas norte-americanas, pressionando preços ao consumidor e contribuindo para o aumento da inflação nos Estados Unidos. Além disso, os representantes brasileiros ressaltaram que os produtos exportados pelo Brasil não competem diretamente com a produção americana. Ao contrário, complementam cadeias produtivas estratégicas, abastecendo segmentos que dependem de insumos brasileiros para manter sua competitividade.
Caráter técnico
Para a Federação, outro aspecto positivo foi que esta audiência teve um caráter mais técnico em comparação com outros debates promovidos anteriormente pelo USTR sobre questões tarifárias. As discussões se concentraram, em maior escala, em aspectos econômicos, produtivos e comerciais, com perguntas voltadas aos impactos das tarifas para a economia americana, à existência de fornecedores alternativos, à capacidade de produção interna dos Estados Unidos e à viabilidade de transferência da produção brasileira para aquele país.
A expectativa da Fiep é que a decisão final do governo norte-americano, prevista para ser divulgada até o dia 15 de julho, também seja baseada em critérios técnicos. Na avaliação da entidade, os argumentos apresentados ao longo da audiência demonstraram de forma consistente que a manutenção do fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos fortalece a competitividade das cadeias produtivas dos dois países, enquanto a adoção de novas tarifas tende a gerar aumento de custos, desabastecimento de insumos e pressão inflacionária para a economia americana, além de prejuízos para a economia brasileira.
(Com FIEP)



