Cacique é condenado a quase 16 anos por tentativa de latrocínio contra agentes da FN

A Justiça Federal do Paraná condenou nesta semana um cacique do povo Avá-Guarani a 15 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por tentativa de latrocínio contra dois agentes da Força Nacional de Segurança Pública. O episódio ocorreu em 6 de setembro de 2024, durante uma operação de patrulhamento em uma área ocupada por indígenas no município de Terra Roxa, região oeste do estado.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o líder indígena comandava um grupo de cerca de 30 pessoas armadas com arcos e flechas que cercaram viaturas da Força Nacional. Durante o confronto, o cacique teria subtraído um fuzil de um dos agentes e tentado disparar contra dois policiais — um homem e uma mulher. A tentativa não se concretizou porque a arma estava travada.
CNA defende agro brasileiro e nega prática desleal de comércio
Vídeos gravados por moradores da região mostram o momento em que os indígenas cercam os agentes em uma estrada rural. A ação, segundo o MPF, visava garantir a posse do armamento, o que configuraria tentativa de latrocínio. A defesa do cacique alegou que se tratava de um “crime impossível”, já que o disparo não ocorreu. A tese, no entanto, foi rejeitada pelo juiz federal Gustavo Chies Cignachi, que destacou que a consumação do crime só não aconteceu por “circunstâncias alheias à vontade do réu”.
Além da condenação, o magistrado determinou que o MPF e a Polícia Federal investiguem suspeitas de falso testemunho por parte de três pessoas que depuseram em defesa do cacique. O réu respondeu ao processo em liberdade e poderá recorrer da decisão sem ser preso imediatamente.







