Para evitar despejo de óleo na rede de esgoto, receita de sabão

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Giovanna Fonseca

Desde 2018, centenas de pessoas de diferentes idades e lugares do Paraná participaram das oficinas de sabão vegetal promovidas pela Sanepar. Além de aprender a fazer o produto de limpeza, elas foram sensibilizadas sobre os transtornos que o lançamento indevido do óleo de cozinha usado pode causar no meio ambiente. O despejo é uma das causas do entupimento da rede coletora de esgoto e de extravasamentos. Ao mesmo tempo, os participantes economizam porque deixaram de gastar com produtos tradicionais adquiridos no comércio.

Soda cáustica, água e óleo usado na cozinha, devidamente filtrado. Isto é tudo o que é necessário para resolver um problema ambiental e econômico, tanto na casa do cliente quanto na operação da rede de esgoto. Variações da receita são compartilhadas durante as oficinas. Colocar limão, açúcar, erva curtida no álcool ou essências são dicas para aproximar as características do produto final daqueles que ocupam as prateleiras dos mercados.

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“Roupa de serviço, que é tudo suja, a gente lava”, afirma Regina Quintiliano Prezotto, moradora do Jardim Primavera, em Londrina, no Norte do Estado. Ela e a filha Nathalia, 14 anos, participaram da oficina de sabão promovida na terça-feira (17) no CRAS Norte B. Regina diz que já produz sabão vegetal e usa para tudo. Sempre guardou o óleo residual da cozinha para as vizinhas que fazem sabão. Há quatro anos, ela começou a fazer o produto e, agora, a tarefa envolve toda a família.

A moradora do Jardim Luís de Sá, na Zona Norte, Alexandra Langaro já tinha uma forma de fazer sabão, mas aprendeu com técnicos da Sanepar que não precisa juntar um grande volume de óleo para a receita. “Na família a gente junta, faz e divide entre a gente. Usamos só sabão assim”, diz.

BOM PARA O BOLSO E A NATUREZA – O gestor de Educação Socioambiental da Sanepar, Ronaldo Barreto, já rodou o Estado como instrutor das oficinas de sabão. Ele diz que as muitas pessoas não sabem que não pode jogar o óleo na rede de esgoto. “Esta orientação é bem importante para Sanepar e para o morador, porque ele também está cuidando do rio dele”, explica.

A redução do valor da conta de supermercado também é um estímulo para fazer o sabão em casa. “Eu achei a receita muito fácil, muito prática. A gente vai utilizar e vai economizar. Para lavar roupa, fazer a faxina de casa”, explica Emília Ribeiro, que participou de uma oficina de sabão promovida recentemente no Centro da Melhor Idade, de Ivaiporã, no Vale do Ivaí.

A diarista Gisele Carla participou da oficina na Casa de Apoio Madre Maria Gertrudes, zona Sul de Londrina, com a filha Ludmila, 8 anos. Ela começou a fazer sabão reaproveitando o óleo da cozinha por uma questão de economia doméstica e usava uma receita da internet. “Aquela que a Sanepar ensina é bem mais fácil”, afirma.

OBSTRUÇÃO – Mesmo com uma onda de alimentação saudável, com pessoas utilizando cada vez menos óleo na preparação de alimentos visando a longevidade, a gordura acumulada na rede coletora de esgoto ainda é um grande problema. É rotina de quem trabalha na manutenção das redes de esgoto da Sanepar retirar placas de gordura, densas como pedras, em pontos obstruídos. Os danos são ambientais e econômicos. De acordo com técnicos da área, cerca de 60% das obstruções na rede de esgoto são provocadas pelo acúmulo de gordura.

(Com AEN/PR)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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