Tabaco brasileiro conclui pré-inspeção exigida para exportação à China

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: SindiTabaco

Procedimento é uma das exigências do protocolo bilateral de comércio entre Brasil e China. Em 2025, país asiático foi o segundo maior destino do tabaco brasileiro, com importações de US$ 577 milhões.

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) sediou, em Santa Cruz do Sul (RS), a reunião de encerramento da pré-inspeção da safra 2025/26, uma das exigências previstas no protocolo bilateral de comércio entre Brasil e China. O encontro ocorreu em formato híbrido, com a participação virtual de autoridades da Administração Geral das Alfândegas da República Popular da China (GACC) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Também participaram o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing; o presidente da China Tabaco Internacional do Brasil (CTIB), Jin Quiang; a responsável técnica do Laboratório da Central Analítica da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Adriana Dupont Schneider; o assessor da Diretoria do SindiTabaco, Carlos Sehn; além de representantes das empresas fornecedoras de tabaco.

Grupo comercializava loteamentos rurais clandestinos

Como nos anos anteriores, e conforme acordado com a GACC, o MAPA ficou responsável pela coleta de amostras de tabaco processado e pelo envio à Central Analítica da UNISC para a realização de testes laboratoriais destinados a verificar a presença das nove pragas quarentenárias previstas no acordo antes do embarque do produto.

Durante a reunião, o representante do MAPA, Roque Danieli, apresentou as atividades realizadas durante a pré-inspeção e o relatório encaminhado à GACC, com o detalhamento dos procedimentos adotados no Brasil. “Temos verificado, ao longo destes 20 anos, um aumento da qualidade do produto, o que atribuimos principalmente aos treinamentos realizados. Somente este ano, foram mais de 300 técnicos treinados”, relatou Danieli.

Ausência de pragas

Com o objetivo de verificar a presença das nove pragas quarentenárias previstas no acordo, a Central Analítica da UNISC avaliou 52 lotes de sete empresas. As amostras foram examinadas para seis tipos de insetos, duas plantas daninhas e o fungo conhecido como mofo azul. Não foram detectadas as pragas quarentenárias nas amostras analisadas, resultado que atende aos requisitos previstos no protocolo bilateral e permite o avanço do processo de exportação da safra para a China.

Segundo o representante líder da GACC, Fayu Huang, a inspeção foi efetiva e houve uma evolução significativa na qualidade do produto brasileiro, especialmente em relação ao NTRM (Non-Tobacco Related Material), expressão utilizada para designar materiais não relacionados ao tabaco. Ele destacou, no entanto, a importância de ampliar a conscientização para reduzir ainda mais a ocorrência desses materiais.

O presidente da CTIB comprometeu-se a reforçar, junto às empresas fornecedoras de tabaco, a importância do monitoramento e da rastreabilidade. Segundo ele, a exportação do tabaco brasileiro para a China depende da emissão do certificado pela GACC. Até a conclusão dessa etapa, as empresas devem manter os cuidados necessários para garantir a segurança do produto durante a fase final de armazenamento.

China é importante destino

O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, reforçou a relevância do mercado chinês para o setor de tabaco brasileiro. Em 2025, a China foi o segundo maior destino do tabaco brasileiro, com importações de aproximadamente US$ 577 milhões. “Para o SindiTabaco e para nossas sete empresas associadas que exportam volumes para a China, esse é um momento de grande relevância. A China é um dos nossos principais mercados e estamos sempre atentos ao cumprimento do acordo estabelecido”, afirmou.

Thesing também destacou que a eliminação de NTRM continua sendo uma preocupação do setor. “Recentemente lançamos uma nova campanha de conscientização para evitar ao máximo a contaminação do tabaco com materiais estranhos. Também nos comprometemos a reforçar o monitoramento e a rastreabilidade do nosso produto, de modo a ampliar a segurança e o cumprimento do acordo”, reforçou o presidente do SindiTabaco.

Programa Tabaco Limpo

A preocupação com a presença de materiais estranhos no tabaco está contemplada no Programa Tabaco Limpo, iniciativa que busca conscientizar os produtores sobre a necessidade de adotar medidas para evitar que esses materiais sejam misturados ao produto durante o manejo da lavoura, a colheita, o armazenamento, a classificação ou o enfardamento. Entre os materiais que podem ser encontrados estão fios de sacaria de ráfia e plástico, capins e outras partes de vegetais, penas, insetos, pelos de animais, papéis, isopor e barbantes.

Saiba mais sobre o Programa Tabaco Limpo

(Com Assessoria SindiTabaco)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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