O café nosso de cada dia mais caro; entenda o motivo da alta

Vandre Dubiela

Vandre Dubiela

 

#souagro | Poucos são os brasileiros que, ao acordar, não começam o dia com uma boa xícara de café do lado. O brasileiro é um dos maiores consumidores do grão no mundo, porém, nas últimas semanas, esse velho hábito começou a ser repensado. Nas prateleiras dos supermercados, um susto. O pacote com meio quilo, que em média saia por R$ 9, saltou para no mínimo R$ 14. Esse reajuste levou muitas pessoas a trocar o velho companheiro das manhãs pelos chás.

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O mercado do café ficou praticamente 5 anos com preços estáveis para o produtor, na faixa de 300 a 400 a saca paga para quem produz. Ou seja, os preços estavam defasados. A explicação é de Paulo Franzini, especialista na cultura do café pela Seab/Deral e secretário-executivo da Câmara Setorial da Cultura do Café no Paraná. “Tivemos também um cenário mundial de pandemia, gerando uma incógnita sobre o aumento ou não do consumo”. Mas beber café continuou a ser um hábito em todo o mundo e pasmem, o consumo chegou a subir 2% no planeta, atribuído às pessoas mais presentes nas residências, trabalhando em home office.

Paulo Franzini, especialista am café
Paulo Franzini, especialista em café é secretário-executivo da Câmara Setorial da Cultura do Café no Paraná

O dólar teve uma supervalorização durante a pandemia, passando de R$ 3 para quase R$ 6. O custo da produção subiu, o mesmo em relação aos fertilizantes e agroquímicos nos últimos meses. “Teve produtor trabalhando no vermelho em se tratando de rentabilidade”, salienta Paulo Franzini.

O mercado estava começando a apresentar uma reação em nível de dólar e real no País. A produção mundial cresceu, houve um equilíbrio mais forte e o produtor de estabilizou. Porém, com as geadas registradas na metade do ano em várias regiões produtores do Brasil, a situação se agravou. O Brasil é o maior exportador de café do planeta e o segundo maior em consumo. “As geadas aliadas aos três últimos anos de estiagem, foram a combinação de fatores que provocou essa alta nos preços”. No ano passado, a saca do café era comercializada a R$ 400, R$ 450. Hoje, já atinge patamares de R$ 900 a R$ 1.100 a saca de 60 quilos de café beneficiado.

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Outro ponto importante ressaltado por Paulo Franzini: o Brasil vive um ciclo de baixa produção. No ano passado, colheu 63 milhões de toneladas e esse ano, caiu para 50 milhões de toneladas. O Paraná responde por apenas 5% de toda a produção nacional. No ano passado, colheu 1 milhão de sacas. “Esse ano, a produção não superará 860 mil sacas. Para o ano que vem, ainda é prematuro fazer qualquer projeção”. Já o Paraná, não chegará a produzir 500 mil sacas, segundo o especialista. Por conta de todos esses fatores, será difícil baixar o preço pago pelo consumidor. Hoje, a região com maior produção de café no Paraná é o Norte Pioneiro, como por exemplo Cornélio Procópio, Santo Antônio da Platina e Jacarezinho.

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Na década de 1960, o Paraná chegou a produzir 20 milhões de sacas. A colonização do Estado, inclusive, está atrelada ao café. O grão sucumbiu por conta da mecanização e do crescimento da exploração de áreas com soja, milho e trigo.

(Vandré Dubiela/Sou Agro)

 

Autor: Vandre Dubiela

Vandre Dubiela

Autor no site Sou Agro.

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