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Governo do PR busca alternativas para reforçar conectividade no meio rural

Débora Damasceno
Débora Damasceno
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O Governo do Paraná estuda alternativas para garantir maior conectividade no ambiente rural e sedimentar o terreno para que as frequências da tecnologia 5G possam ser aplicadas futuramente no campo.

O leilão dessas frequências, que será efetivado nesta quinta-feira (4) pelo governo federal, atenderá inicialmente as 26 capitais e o Distrito Federal.

Uma das frentes em análise é a aplicação dos créditos do ICMS decorrente de exportação para ampliar a rede de torres de transmissão. Atualmente, o Paraná abriga 1.400 equipamentos. “Com mais umas 750 torres conseguimos dar sinal de qualidade via banda larga 4G de 700 megahertz”, disse o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

 

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Com essa modalidade, uma cooperativa, por exemplo, poderia transferir o direito de recebimento dos ativos para uma empresa de telecomunicações de sua preferência fazer o investimento. “A concessionária devolve esse recurso na forma de uma tarifa combinada para os associados que estão na área de abrangência”, afirmou o secretário.

Segundo ele, nas diversas reuniões que mantêm com empresas do setor de telecomunicações há um consenso de que o upgrade do 4G para o 5G é simples. “Então, essa tecnologia de torres não é investimento jogado fora, vai ajudar muito o setor rural no 4G, e quando vier o 5G só melhora”, disse. Um decreto para oficializar esse formato já está em fase de estudos.

 

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O Estado também analisa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e prefeituras, a possibilidade de financiamento para implantar troncos de fibra ótica até as comunidades rurais. A partir dali, o agricultor interessado poderia utilizar o crédito rural e financiar seu próprio ramal por fibra ótica ou rádio, possibilitando uma internet de melhor qualidade.

“Por essas duas vias podemos avançar bastante no oferecimento de um serviço mais acessível e que se traduza em inclusão digital e melhor produtividade”, disse Ortigara. “O campo precisa e precisará cada vez mais dessa capacidade de conectividade para usar as tecnologias que estão chegando com força”.

 

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REVOLUÇÃO – Para o agrônomo Alessandro Casagrande, ainda é cedo para prever o impacto do 5G na agricultura. “Mas, com certeza, ela nunca mais será como antes”, afirmou. Ele coordena o Laboratório de Inovação do Sistema de Agricultura do Paraná (iLab Agro), que, em parceria com a Paraná Projetos, visa criar um ambiente para pensar inovações, desenvolver soluções digitais e identificar oportunidades para prestar melhor serviço à área rural.

“Para comunidades rurais, assim como para empresas, o lançamento do 5G provavelmente será muito mais revolucionário do que o lançamento do 4G, ocorrido há cerca de 10 anos no Brasil, dada a nova gama de soluções que serão proporcionadas pela alta velocidade do fluxo de informações”, disse Casagrande.

Ele relaciona como avanços a expansão da Internet das Coisas (IoT), geração de dados agroambientais em tempo real, multiplicação de veículos autônomos, enxames de drones, monitoramento de pragas com Inteligência Artificial (IA), rastreabilidade em tempo real, irrigação inteligente, entre outras.

O coordenador do iLab Agro cita que o acesso sem fio 4G está disponível para 95% das áreas urbanas no mundo. Quando a análise vai para o meio rural, esse porcentual cai para 71%. Porém, ao se analisar as nações em desenvolvimento ou menos desenvolvidas, observa-se que 17% da população rural não têm cobertura móvel, enquanto 19% são servidas apenas pela rede 2G.

 

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Independentemente das condições estruturais para implantar a tecnologia, os produtores rurais demonstram interesse. “Percebemos um movimento acontecendo, é um misto de curiosidade, desconfiança, e às vezes medo, pois a tecnologia, principalmente a autômata, desperta isso”, afirmou Casagrande.

Mas ele acentuou que isso é normal em transições tecnológicas. “O nosso agricultor gosta de inovação, principalmente as novas gerações que procuram se atualizar sobre o tema, portanto a transição técnico-cultural não será um empecilho, ficando como grande barreira a ser superada a falta de estrutura de conectividade nas áreas rurais”, disse.

Para Casagrande, o governo tem um papel fundamental na coordenação e fomento da infraestrutura, similar como foi no passado com a construção de estradas para promover a integração do Estado. “Agora serão as infovias que farão a pavimentação da conectividade, tão necessária ao desenvolvimento no século 21”, salientou.

LEILÃO– O valor do leilão do governo federal será de, no mínimo, R$ 49,7 bilhões, segundo a Anatel. As empresas vencedoras pagarão R$ 10,6 bilhões pela outorga e investirão R$ 39,1 bilhões em infraestrutura.

Todo valor acima do preço mínimo será revertido para as 2,3 mil localidades que ainda não possuem 4G habilitado. Isto será muito importante para o desenvolvimento de aplicações da Agricultura 4.0 em áreas remotas.

(Fonte/Foto: Agência de notícias do Paraná)

(Débora Damasceno/Sou Agro)

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