PISCICULTURA

Pescado brasileiro mira R$ 15,6 bilhões por ano em exportações

As exportações brasileiras de pescado podem alcançar R$ 15,6 bilhões por ano no prazo de quatro anos, cerca de cinco vezes o patamar atual, desde que o país amplie a produção, modernize as indústrias e avance na abertura de mercados. A projeção faz parte de um plano elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) para acelerar o desenvolvimento da pesca e da aquicultura.

O documento reúne metas econômicas, propostas de financiamento e mudanças regulatórias destinadas a aumentar a competitividade do pescado brasileiro. Segundo a entidade, o setor cresce, em média, 5,5% ao ano nas vendas externas, mesmo sem um programa estruturado de expansão comercial.

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Com crédito, melhoria sanitária, rastreabilidade e promoção dos produtos brasileiros no exterior, a Abipesca calcula que esse ritmo poderia chegar a 10% ao ano. O plano apresenta ainda um cenário mais ambicioso, no qual as exportações atingiriam R$ 15,6 bilhões anuais em quatro anos. Para isso, seria necessário um avanço médio próximo de 50% ao ano.

A diferença entre os dois cenários mostra a dimensão do desafio. O crescimento de 10% manteria a expansão gradual já observada pelo setor, enquanto a meta de R$ 15,6 bilhões exigiria uma mudança de escala, com aumento acelerado da produção, novos frigoríficos, renovação da frota pesqueira e entrada em grandes mercados consumidores.

A proposta prevê a criação de um Programa de Aceleração da Pesca e Aquicultura, com metas anuais de produção, industrialização e exportação. Os resultados seriam acompanhados por relatórios públicos para identificar atrasos e corrigir entraves sanitários, ambientais, logísticos ou regulatórios.

Um dos principais pontos é a criação de uma linha específica de financiamento para empresas exportadoras. O plano sugere até R$ 104 milhões em capital de giro por companhia e até R$ 260 milhões para modernização e ampliação de indústrias ou construção de novas unidades.

Os recursos teriam juros subsidiados, prazos maiores de amortização, carência estendida e garantias facilitadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Garantidor de Exportações (FGE). Os valores foram convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988 registrada em 25 de setembro.

O acesso ao crédito é apontado como condição para adequar plantas industriais às exigências dos compradores internacionais. Além da capacidade de processamento, os projetos precisariam investir em refrigeração, armazenamento, aproveitamento de resíduos, controle sanitário e rastreabilidade desde a origem do pescado.

A Abipesca também propõe acelerar a abertura de mercados e reduzir o tempo necessário para habilitar estabelecimentos exportadores. O plano considera que o Brasil dispõe de água, clima, extensão costeira e diferentes espécies com potencial comercial, mas ainda aproveita pouco essas vantagens na disputa internacional.

Na aquicultura, o aumento das vendas depende da expansão segura dos criatórios, da oferta de alevinos, do controle de doenças e da regularização dos empreendimentos. Na pesca extrativa, os principais desafios estão na renovação das embarcações, no monitoramento dos estoques, na segurança dos trabalhadores e na manutenção da cadeia de frio.

O estudo defende ainda a formação de uma base nacional de estatísticas pesqueiras. A ausência de informações contínuas sobre produção, espécies, regiões e estoques dificulta o planejamento dos produtores, das indústrias e dos órgãos responsáveis pela sanidade e pela conservação dos recursos.

Outros pontos incluem a revisão do seguro-defeso, a racionalização das exigências fiscais e ambientais e a definição mais clara das competências dos órgãos públicos. A intenção é reduzir conflitos regulatórios sem retirar a necessidade de controle sobre a exploração dos recursos pesqueiros.

Segundo a Abipesca, a pesca e a aquicultura brasileiras sustentam mais de 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos e produzem mais de 1,1 milhão de toneladas de pescado por ano. Para a entidade, transformar esse volume em maior presença internacional exigirá uma estratégia que conecte produtor, indústria, crédito, sanidade e acesso a mercados.

(Com Feagro)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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