Imagem: Magnific
O perfil do produtor rural está mudando. A experiência e o conhecimento de campo continuam sendo fundamentais, mas hoje dividem espaço com uma quantidade cada vez maior de informações para apoiar as decisões dentro da propriedade. Se antigamente boa parte do conhecimento era passada de pai para filho, hoje o acesso à informação tornou muito mais fácil aprender, comparar e buscar novas formas de produzir.
Dados de produtividade, consumo de combustível, horas trabalhadas, custos de manutenção, condições climáticas e preços de mercado estão cada vez mais acessíveis. Com isso, a própria forma de enxergar a fazenda mudou. Cada etapa da produção pode ser medida e analisada, permitindo ao produtor entender melhor onde estão seus custos, seus resultados e as oportunidades de melhoria.
Tecnologia leva análise da qualidade do leite para a propriedade
A tecnologia tem um papel importante nessa transformação. Telemetria, piloto automático, sensores, drones e plataformas de gestão ajudam a acompanhar a operação, reduzir desperdícios e planejar melhor as atividades. Na manutenção, por exemplo, informações geradas pelas próprias máquinas podem ajudar a antecipar situações que antes só eram percebidas quando o problema já tinha acontecido.
Mas existe um ponto que considero fundamental: ter mais dados não significa necessariamente tomar melhores decisões.
Hoje se fala muito sobre dados, conectividade e inteligência artificial no agro. Mas de que adianta ter tanta informação disponível se ela não for transformada em uma ação que traga algum benefício para o produtor? A tecnologia precisa ter um propósito claro, seja para reduzir custos, aumentar a produtividade, evitar uma parada ou simplesmente facilitar a operação.
E é justamente nesse ponto que fabricantes e concessionárias também precisam evoluir. Para um produtor cada vez mais conectado, entregar somente a máquina já não é suficiente. É preciso pensar também em treinamento, suporte, conectividade e ferramentas que permitam aproveitar melhor o equipamento durante toda a sua vida útil.
A concessionária passa a ter um papel ainda mais importante nesse processo. Mais do que reagir quando um problema acontece, ela pode utilizar as informações disponíveis para se antecipar, identificar possíveis falhas e estar mais próxima da operação do cliente.
A transformação do agro, portanto, não está apenas nas máquinas ou nas novas tecnologias. Está também na forma como produtores, fabricantes e concessionárias administram seus negócios e tomam decisões. No final, a tecnologia só gera valor quando a informação se transforma em ação.
(Com Meteored Brasil)
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