No Estado de Illinois, o Warren-Henderson Farm Bureau, espécie de sindicato rural do condado, desenvolve um trabalho na área da educação que despertou o interesse dos integrantes da viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos. A iniciativa “Agriculture in the Classroom” (Agricultura em Sala de Aula) guarda semelhanças com o Agrinho, programa de responsabilidade social do Sistema FAEP. O projeto norte-americano leva informações sobre o campo a estudantes de diversas etapas de ensino na região.
A maioria dos alunos atendidos pelo programa não tem vínculo direto com a atividade rural — mesmo vivendo cercada por lavouras de milho e soja. Isso vale também, segundo Anna Sharp, coordenadora de educação agrícola do Warren-Henderson Farm Bureau, para a pecuária. Muitos dos estudantes veem o gado apenas a distância, nos pastos.
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“Há alguns anos, muitos dos alunos viviam a realidade do campo. Hoje, isso mudou e a permanência dos jovens na atividade rural é um desafio constante”, afirma Anna.

O propósito do projeto é justamente aproximar os estudantes dessa realidade, mostrando como o agro está presente no dia a dia — da comida ao combustível usado no carro. “Meu trabalho é dar informações básicas para que eles possam compreender a importância da agropecuária no presente e no futuro deles”, explica.
O objetivo é formar consumidores mais bem informados e, também, despertar vocações. A coordenadora estima que apenas um a cada cinco estudantes de Illinois acaba atuando profissionalmente em áreas ligadas ao agronegócio na vida adulta — não necessariamente na produção, mas em transporte, vendas de insumos, aplicação de defensivos e outras atividades correlatas. “Nossa esperança é despertar interesse e consciência de que podem usar essas informações no futuro”, resume.
Paralelo com o Agrinho
Para os produtores paranaenses da delegação, o “Agriculture in the Classroom” tem muitas semelhanças com o Programa Agrinho, criado e desenvolvido pelo Sistema FAEP. A lógica de funcionamento está próxima: assim como em Illinois, o Agrinho parte da sala de aula e do olhar do professor sobre a realidade da comunidade ao redor para construir atividades — redações, desenhos e experiências pedagógicas — que aproximam a criança do universo rural, mesmo sem tem ligação direta com o campo.
Criado em 1995 pelo Sistema FAEP, o programa está na sua 31ª edição, sendo uma das maiores ações de educação do Brasil. A iniciativa está presente nos 399 municípios do Paraná, reúne a cada edição mais de 80 mil professores e cerca de um milhão de estudantes da educação infantil ao ensino médio, com atividades que vão da capacitação de docentes à distribuição de material didático e ao tradicional Concurso Agrinho.

A presidente do Sindicato Rural de Uraí e professora aposentada, Sueli Maria Bachim dos Santos, destaca a importância de iniciativas locais que complementam o próprio Agrinho. No ano passado, o sindicato desenvolveu o projeto “Desmistificando o Agro: Mitos e Verdades”. Em parceria com uma propriedade rural no distrito de Rancho Alegre, a entidade levou turmas de quintos anos do ensino fundamental para conhecer a rotina do campo.
A visita incluiu palestra, os bonecos do Agrinho e uma caça ao tesouro em que os alunos precisavam encontrar respostas relacionadas ao que haviam aprendido. De volta à sala de aula, os estudantes escreveram redações sobre a experiência. Os melhores textos de cada série foram premiados em uma cerimônia no sindicato, com a presença do prefeito do município. A ideia é repetir o projeto neste ano, ampliando para mais uma escola.
“Quanto mais cedo a criança conhece o campo, mais chances de que, adulta, valorize e até mesmo escolha, a vida rural”, destaca Sueli//.












