Assistência Técnica e Gerencial impulsiona ovinocultura em propriedade

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Faep

Desde 2009, Jonas Staniszewski de Lima, produtor rural em São Mateus do Sul, na região Centro-Sul do Paraná, se dedica à criação de ovinos como complemento à produção de soja, trigo, milho e, especialmente, erva-mate, sua principal atividade. Atualmente, são 160 animais rústicos, de rápido crescimento e com carne de alta qualidade, resultado da combinação de Santa Inês com reprodutores White Dorper.

A entrada na ovinocultura, no entanto, não teve como foco inicial a venda de carne. Lima buscava uma solução para limpeza e manutenção do erval, com o objetivo de reduzir custos e melhorar a produtividade de sua principal atividade. Mas com a chegada dos animais, vieram os desafios: lidar com reprodução, alimentação e saúde do rebanho e ainda organizar a gestão financeira da nova atividade. “Não sabíamos se a ovinocultura dava lucro ou prejuízo”, lembra.

Queda no preço do leite e importações pressionam produtores

Nesse contexto, o produtor conheceu a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP, que oferece orientação técnica e financeira, visitas periódicas de profissionais e ferramentas de gestão, possibilitando a organização das atividades, controlar custos e planejar investimentos. A ATeG permitiu que Lima compreendesse o desempenho de cada animal e os custos reais da atividade, transformando a gestão da propriedade.

O impacto da ATeG foi imediato. Com a implantação do controle individual das matrizes – coleiras numeradas e registros detalhados de partos e sexo das crias – o ovinocultor pôde identificar os animais mais produtivos e reduzir perdas. A vacinação contra tétano, recomendada pelo técnico de campo, também diminuiu significativamente a mortalidade de cordeiros. “Antes, perdíamos muitos filhotes e nem sabíamos que existia vacina. Hoje, os animais já nascem imunes e tivemos menos perdas. Também sentimos uma melhoria na reprodução e no ganho de cordeiros. Este ano, tivemos carneiro criando duas vezes”, conta.

Os ovinos também tiveram impacto direto na erva-mate. Graças aos animais, o produtor consegue manter a lavoura sem produtos químicos desde 2009, reduzindo custos de manejo e aumentando a produtividade em mais de 180%. Isso contribuiu para a sustentabilidade da propriedade e a garantia de certificações nacional, europeia e norte-americana de erva-mate orgânica. “Os ovinos ajudaram a melhorar essa questão de custo e produção da erva-mate. Agora com a ATeG, estamos conseguindo melhorar também a ovinocultura para ter mais uma fonte de renda”, explica.

O acompanhamento financeiro trouxe ainda mais segurança e planejamento. “Sabendo exatamente o que entra e sai por mês, conseguimos identificar erros, fazer melhorias e planejar investimentos. Já compramos um novo moedor de grãos e estamos programando um novo abrigo para os animais”, afirma Jonas.

Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, a ATeG é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do agronegócio paranaense. “O programa permite que os produtores aprimorem técnicas, melhorem a gestão financeira e aumentem a competitividade de suas propriedades, garantindo sustentabilidade e geração de renda no campo”, destaca.

O produtor avalia a experiência com a ATeG como transformadora. “Há uns anos, pensávamos até em desistir da ovinocultura. Hoje, sabemos onde erramos, conseguimos planejar e investir melhor, e isso nos dá ânimo para continuar e crescer”, conclui.

ATeG do Sistema FAEP atende diversas cadeias

Com início em 2023, o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP proporciona a geração de renda nas propriedades por meio da profissionalização da atividade rural. Aliando conteúdos técnicos e gerenciais, a iniciativa prevê visitas mensais de um técnico de campo às propriedades atendidas, que orienta o produtor sobre os aspectos relativos à produção agropecuária e também ao controle gerencial da atividade.

Atualmente, a ATeG está disponível para diversas cadeias produtivas: apicultura, avicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, cafeicultura, floricultura, fruticultura, grãos e cereais, olericultura, ovinocultura de corte, piscicultura, turismo rural, suinocultura e silvicultura.

A metodologia empregada no programa é dividida em cinco etapas. A primeira consiste no diagnóstico das informações produtivas, ambientais, sociais e econômicas de cada propriedade atendida. Com base neste diagnóstico, produtor e técnico definem as metas e objetivos para a atividade produtiva. A etapa seguinte é a execução das orientações do técnico para melhorar o processo produtivo e gerencial utilizando as ferramentas da ATeG. Na quarta etapa, o Sistema FAEP oferece capacitações profissional complementar para apoiar a adoção de tecnologias e decisões. Por fim, existe a avaliação do desempenho da propriedade, convertendo dados da ATeG em indicadores para decisões e planejamento futuro.

A participação no programa tem duração de dois anos. Interessados devem procurar o sindicato rural local ou acessar as informações no site do Sistema FAEP.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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