México libera imposto para importação de carne bovina

Fernanda Toigo

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Foto: Getty Images

O governo mexicano decidiu liberar cotas de importação sem imposto para carne bovina e suína até o fim de 2026, criando uma oportunidade relevante para o Brasil, que se destaca como principal fornecedor fora dos acordos de livre comércio da América do Norte. A medida integra os ajustes da política mexicana de combate à inflação e ocorre em um cenário global de maior disputa por mercados de proteínas animais.

Pelo decreto, o México permitirá a entrada de 70 mil toneladas de carne bovina e 51 mil toneladas de carne suína sem cobrança de tarifa até 31 de dezembro de 2026. As cotas são globais e válidas para todos os países exportadores, com exceção daqueles que já possuem acordo de livre comércio com os mexicanos, como Estados Unidos e Canadá. Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, esse desenho favorece diretamente o Brasil, já que os norte-americanos e canadenses não participam da cota.

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Dados da plataforma Agrostat mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou ao México 74,3 mil toneladas de carne suína e 113,2 mil toneladas de carne bovina, com receitas de R$ 181,4 milhões e R$ 618,9 milhões, respectivamente. Mesmo com a limitação das cotas, o mercado mexicano continua competitivo, já que os Estados Unidos ainda aplicam uma tarifa de 26,4% sobre a carne bovina.

Enquanto isso, o Brasil acompanha com atenção a medida de salvaguarda adotada pela China para a carne bovina importada, que prevê tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem a cota de 1,1 milhão de toneladas. O governo brasileiro negocia para que os embarques realizados até 31 de dezembro de 2025 não sejam contabilizados nessa cota e prepara propostas para absorver eventuais volumes não utilizados por outros exportadores. A missão oficial à China, inicialmente prevista para janeiro, foi adiada, mas a expectativa é de que o tema avance antes da visita ou seja tratado diretamente nas reuniões bilaterais.

As medidas chinesas também provocaram reação entre produtores. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou preocupação com o risco de que o custo da sobretaxa recaia sobre os pecuaristas. Em nota, a entidade defendeu que os frigoríficos evitem repassar perdas ao produtor e alertou contra práticas especulativas, destacando que grandes exportadores têm condições de redirecionar volumes para outros mercados sem penalizar quem está na porteira. Para a Acrimat, o momento exige equilíbrio da indústria e atuação firme do governo federal para proteger não apenas os exportadores, mas também quem sustenta a produção no campo.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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