Queijaria expande produção após premiação

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Faep

A queijeira Silmara Garcia Molina Pinto não tinha muitas expectativas quando fez a inscrição no Prêmio Queijos do Paraná. Como fazia pouco tempo que se dedicava à atividade, ela não esperava conquistar medalha, apesar de seus queijos serem sempre elogiados. Assim que chegou à premiação, no dia 30 de maio, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, Silmara passou a festejar colegas que tinham sido medalhistas. Só depois de conferir a relação de vencedores, é que ela constatou que seu queijo Colinas Frescal tinha ganhado medalha de prata.

“Quando vi na lista que tinha um premiado da minha cidade [Ibaiti, Norte do Paraná], eu fiquei pensando em quem poderia ser. Aí caiu a ficha que, do município, só eu tinha me inscrito. Foi uma grande alegria”, conta Silmara.

Estado tem 9 cidades entre as maiores produtoras da pecuária

Queijaria colinas prêmio queijos do Paraná
Silmara e Valdinei Pinto, da Queijaria Colinas

A condecoração consolidou o recente retorno de Silmara ao campo. Após passar a infância e a pré-adolescência no Norte Pioneiro (ela nasceu em Figueira e morou também em Curiúva), aos 14 anos, Silmara se mudou a Curitiba. Lá, formou-se em técnica em enfermagem e se casou com Valdinei Castilho Pinto, que era supervisor da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Apesar de terem feito a vida na cidade, Silmara e o marido começaram a planejar a volta ao interior, na aposentadoria. Em 2016, compraram uma propriedade de 26 hectares localizada em Ibaiti.

“Não tinha nada quando chegamos. Construímos o barracão, o retiro de leite, estruturando aos poucos”, conta Silmara.

A produção de queijos começou quase por acaso, ainda em 2020, depois que o casal comprou uma vaca. “Ela chegou dando 28 litros. A gente tomava um. Ia fazer o que com os outros 27? Comecei a fazer os queijos. Fui para a internet e peguei as primeiras receitas”, diz Silmara. Dois anos depois, a família começou a comercializar os queijos, de maneira informal, sobretudo para vizinhos.

Profissionalização

Com o aumento da demanda, o casal construiu uma cozinha industrial. Em seguida, a propriedade recebeu a visita de um técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e de um médico veterinário do município, que passaram a incentivar a formalização do negócio. Paralelamente, Silmara arregaçou as mangas e fez uma série de cursos, incluindo uma capacitação do Sistema FAEP, no Centro de Treinamento Pecuário (CTP), em Castro, na região dos Campos Gerais.

“Nós fomos direcionando para formalizar a queijaria e, ao mesmo tempo, fui me especializando, fazendo curso, com o objetivo de me tornar mestre queijeira”, diz Silmara.

A infraestrutura ficou pronta neste ano, recebendo o nome de Queijaria Colinas. Logo em seguida, o empreendimento conseguiu o selo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que permite a comercialização formal dos produtos no município. Com a regularização, Silmara pôde se inscrever no Prêmio Queijos do Paraná, promovido pelo Sistema FAEP. “Um técnico do IDR-Paraná comeu o meu queijo e falou: ‘Esse é pra ganhar prêmio’. Isso me incentivou a participar. Aí eu fui, mas sem pretensão”, revela Silmara.

A queijeira e o marido já sentiram o impacto da premiação. Logo na semana seguinte, passou a receber inúmeras mensagens de pessoas querendo saber sobre os produtos e manifestando intenção de conhecer a queijaria. “Virou nossa vida de uma forma positiva. Eu só não estou produzindo mais por falta de matéria-prima, mas estamos trabalhando para providenciar isso”, conta.

A Queijaria Colinas tem quatro vacas em lactação e uma produção que chega até 40 quilos de queijo por semana. A ideia é expandir o volume, a partir da aquisição de leite de produtores vizinhos. O casal também não descarta a possibilidade de ampliar o plantel. Mais importante de tudo isso é que a premiação mostrou que Silmara e Pinto estavam certos quando decidiram voltar ao campo.

“Está dando certo. Temos a sensação de que se continuarmos nesse caminho, de buscar conhecimento, de se qualificar e focar em qualidade, vamos ter sucesso. Isso é muito gratificante”, conclui Silmara.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Notícias Relacionadas