Produtores de leite se reúnem para discutir crise no setor e cobrar ações do governo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Jaelson Lucas/AEN

 

No próximo dia 15 de setembro, o Sindicato Rural de Cascavel sediará uma reunião decisiva para o setor leiteiro do Paraná. O encontro promovido pela Rural Leite reunirá produtores, representantes de associações, lideranças rurais e entidades empresariais para debater os principais desafios enfrentados pela cadeia produtiva do leite no Estado, com foco em cinco pontos centrais:

  1. Preço do leite, importações e a urgência da lei antidumping
  2. Infraestrutura rural: estradas e acesso às propriedades
  3. Projeto de modernização da atividade leiteira
  4. Compras coletivas de insumos
  5. Distribuição de sêmen para melhoramento genético

A reunião contará ainda com a leitura e entrega de uma Carta Aberta de Apoio às Associações de Produtores de Leite do Oeste e Sudoeste do Paraná, assinada pela Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná) e pelo POD (Programa Oeste em Desenvolvimento).


Crise no leite exige medidas emergenciais

Segundo o documento, o setor leiteiro passa por uma das fases mais críticas dos últimos anos, agravada pela forte queda nos preços pagos ao produtor, que se intensifica durante o inverno, e pelo aumento descontrolado das importações de leite, principalmente do Uruguai e da Argentina.

Em 2024, o Paraná produziu cerca de 4,6 bilhões de litros de leite, consolidando-se como o segundo maior produtor nacional. A atividade movimenta aproximadamente R$ 12 bilhões por ano e envolve mais de 110 mil produtores, sendo 86% agricultores familiares. No Oeste e Sudoeste do Estado, o leite representa a segunda principal fonte de renda agrícola, ficando atrás apenas da soja.

A carta alerta que, diante da baixa rentabilidade, muitos produtores estão abandonando a atividade, o que compromete a economia local, especialmente de municípios que dependem da produção leiteira.


Ações urgentes: antidumping, fiscalização e incentivo ao consumo

Entre as medidas emergenciais solicitadas pela Caciopar e pelo POD está a abertura imediata de um processo antidumping, para impedir a entrada de leite estrangeiro a preços inferiores ao custo de produção no Brasil — uma prática que configura concorrência desleal.

Outro ponto crítico é a reidratação de leite em pó importado, transformado em leite líquido e vendido no mercado interno — uma prática proibida pela legislação nacional, mas que não vem sendo devidamente fiscalizada, segundo os signatários da carta.


Medidas estruturais e valorização do produtor

Além das ações emergenciais, o setor pleiteia políticas estruturantes, como:

  • Criação de um Instituto Nacional do Leite, para debater preços, normativas e combater cartéis formados por laticínios;
  • Incorporação do leite no programa Bolsa Família e na merenda escolar, para ampliar o consumo interno;
  • Modernização da relação comercial entre produtores e indústrias: hoje, o produtor entrega o leite e só recebe após até 30 dias, sem saber o preço até o 15º dia — um modelo considerado arcaico e desvantajoso.

Apelo por sensibilidade governamental

A Caciopar e o POD concluem a carta com um apelo direto ao Governo Federal e às autoridades estaduais, para que tomem providências imediatas. “Sem sensibilidade e ação efetiva, a cadeia produtiva do leite pode entrar em colapso, comprometendo um dos setores mais relevantes para a economia de centenas de municípios, para o Paraná e para o próprio País”, afirma Reni Fernande Felipe, presidente da Caciopar.

A reunião do dia 15 é considerada um marco para consolidar essas demandas e pressionar por respostas concretas. A expectativa é de que o encontro resulte em encaminhamentos estratégicos para salvar uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio paranaense.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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