Ex-funcionária da indústria migra para o campo com ajuda da FAEP

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Faep

Até alguns anos atrás, Noily Aparecida Souza de Lima e o marido, Genaldo Lima apenas sonhavam com o plano de produzir morango. Em vias de aposentar, os dois, que trabalhavam como colaboradores da indústria, decidiram largar a vida na capital paranaense para se dedicar a uma nova atividade econômica numa chácara em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Como não sabiam o quê e como fazer para tirar o sonho do papel, tiveram uma ajuda crucial: a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP.

Em 2018, Genaldo Lima já estava aposentado e sentindo a necessidade de uma nova ocupação. Noily seguia na ativa trabalhando na área administrativa de uma indústria e fazia viagens periódicas para Mandirituba nos dias de folga para visitar parentes. Como o município é um polo produtor de morango, ela teve a ideia de vender a fruta para seus colegas de trabalho. Em pouco tempo, as viagens já não eram suficientes para atender aos clientes.

FAEP fortalece a atuação sindical no meio rural

30 Noily e Genaldo : ATeG foi oportunidade para mudar de atividade

“Nesse momento percebi uma oportunidade de negócio. Em conversas com o pessoal da região, identifiquei potencial de me tornar produtora, pois havia falta do produto para comercialização. Então, começamos a pesquisar e surgiu a chance de trocarmos nossa casa em Curitiba por uma propriedade em Mandirituba, onde estamos, e eu também encerrei meu contrato de emprego na cidade”, recorda Noily.

Já na nova realidade, primeiro, Noily e o marido tiveram a ideia de adaptar uma antiga estrutura de um aviário para uma “plantação” de 4,5 mil pés de morangos. Junto a isso, ela fez um curso do Sistema FAEP que ajudou a implantar a estufa usando mão de obra própria. “No começo, fizemos do nosso jeito, compartilhando um pouco de conhecimento com os vizinhos, mas muito na intuição”, compartilha Noily.

Os negócios começaram a fluir, mas ainda faltava algo. O casal cuidava das plantas e vendia o produto, mas sem controle sobre as receitas e despesas. A organização da propriedade também deixava a desejar, o que motivou Noily a buscar novos conhecimentos. Fez diversos treinamentos, como o Kaizen do Sistema FAEP. Mas a virada de chave veio após o convite de lideranças rurais do município e instrutores do Sistema FAEP para ser uma das propriedades a participarem do programa-piloto de ATeG.

“A ATeG permitiu olhar para um controle mais rigoroso de custos de produção, melhorar nosso manejo, revitalizar o processo de embalagem e fazer adaptações na propriedade. Graças a tudo isso, conseguimos vislumbrar uma oportunidade de crescimento”, afirma Noily. “Começamos pela parte gerencial, fazendo um trabalho de anotações dos dados, o que permitiu identificar como melhorar alguns processos. Na parte técnica, com a melhora no manejo de pragas e doenças, tivemos vários benefícios, como o aumento de produtividade”, celebra Edenir Kosloski, instrutor de ATeG do Sistema FAEP que atendeu a propriedade de Noily e Genaldo.

Com a constatação das melhorias, Noily e Genaldo se animaram em investir em benfeitorias na propriedade. A primeira foi a construção de uma nova estufa, com financiamento de R$ 149 mil do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Com mais 3,5 mil pés plantados, a produção atual está, em média, 100 quilos por semana na alta temporada e até 50 quilos/semana no inverno.

Mais recentemente, o casal resolveu implementar uma pequena usina de geração de energia fotovoltaica. Para isso, também financiaram R$ 16 mil, que na prática reduz ainda mais os custos de produção. “Nossa conta que era de R$ 400 por mês, agora vem somente com a taxa de manutenção da rede. Como temos um prazo de carência e a parcela anual está dentro do nosso orçamento, foi um excelente negócio”, aponta Noily.

O casal segue apostando no aumento da produtividade por meio das boas práticas agropecuárias, muitas delas aprendidas durante o período de ATeG, que está em processo final. A propriedade tem espaço para a construção de, pelo menos, mais uma estufa, o que está nos planos dos produtores rurais e deve se concretizar nos próximos anos.

“Esse é o propósito da nossa ATeG, colaborar para o produtor rural entender o seu negócio e, num segundo momento, planejar um crescimento sustentável e ordenado, para aumentar a sua renda e qualidade de vida. Já são milhares de produtores atendidos e vamos continuar expandindo o serviço”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.

(Com AEN/PR)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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