Manejo do milho tiguera para reduzir danos da cigarrinha-do-milho

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

FOTO: FAEP

A sobrevivência de insetos pode ser comprometida na ausência de suas plantas hospedeiras preferenciais, levando-os a utilizar outras para obter água e abrigo. Essa população remanescente permite infestar novos cultivos com maior ou menor intensidade, dependendo de múltiplos fatores. O problema se agrava quando o inseto é uma praga severa, capaz de causar danos mesmo em baixa densidade populacional, como ocorre com vetores de doenças, caso da cigarrinha-do-milho. Mas como o manejo de plantas voluntárias de milho pode ser um aliado do agricultor?

A dessecação da área com glifosato, antes do plantio da próxima cultura, era suficiente para controlar plantas daninhas. Contudo, com o maior uso de híbridos resistentes ao herbicida e com as perdas que ocorrem na colheita mecanizada, muitas plantas de milho guaxo ou tiguera têm emergido nas culturas sucessoras, assumindo o papel de daninhas e dificultando o manejo de pragas. Esse milho voluntário permite a sobrevivência e reprodução da Dalbulus maidis, além de ser reservatório de molicutes e do vírus da risca para a próxima safra, causadores de doenças do complexo de enfezamento.

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A perda tolerável na colheita mecanizada de milho é de 1,5 saca por hectare, mas mesmo que originem poucas plantas voluntárias, elas germinam várias vezes ao longo do ano. Isso gera aumento da população de cigarrinha no início da safra e da safrinha de milho, com alta probabilidade de este grupo já estar infectivo, ou seja, capaz de transmitir doenças para as plantas novas, ocasionando perdas de produção.

A presença de milho voluntário no campo aumenta a sobrevivência, reprodução e transmissão de doenças pela cigarrinha. Uma das formas de manejo é eliminar essas plantas utilizando métodos químicos, mecânicos, físicos e biológicos, e realizar o monitoramento regular para detectar novos fluxos de emergência. Como o manejo após a planta estar presente na área é mais difícil, é preciso atuar de forma preventiva. Além de observar condição ideal de clima e de ponto de colheita, outros fatores são fundamentais, como o ajuste das colhedoras para minimizar a quebra de grãos e espigas; manutenção regular das máquinas para evitar falhas mecânicas durante a colheita; treinamento adequado dos operadores de colhedoras e demais trabalhadores envolvidos na colheita e; verificar se a faixa de velocidade de trabalho está de acordo com a recomendação técnica.

Uma das preocupações é o agricultor fazer o manejo e o seu vizinho, não. De fato, esse trabalho deve ser realizado por todos, como um compromisso em minimizar o problema. Para esse alinhamento, no Paraná, a Portaria 133/2023 da Adapar estabelece medidas para minimizar as perdas causadas pela cigarrinha, principalmente a eliminação obrigatória do milho voluntário, processo fiscalizado pelo órgão de defesa durante a entressafra.

A ação coordenada dos agricultores e outros profissionais em campo é fundamental para minimizar as perdas causadas pela cigarrinha-do-milho e doenças transmitidas por ela.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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