Transbordou! Supersafra de milho congestiona armazéns

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Gilson Abreu/AEN

Nas últimas semanas, quem passa em frente aos armazéns das cooperativas, de longe avista a fila de caminhões que aguardam para descarregar. A safra de milho surpreendeu em algumas regiões. Metade do Oeste e toda a parte Sudoeste do Paraná registram números altamente positivos em relação à cultura. Foi muito além do esperado. “A expectativa que nós tínhamos para a colheita do milho era uma produtividade em torno de 6 mil kg/hectare, mas da região Oeste até o Sudoeste do Estado, o tempo colaborou e tivemos uma produtividade superior de 20 a 25%. Algumas lavouras chegaram a passar de 7.500 quilos/hectare. E isso gerou uma pressão momentânea. O produtor quer aproveitar o tempo bom para colher e voltar para a operação na propriedade. É natural”, explica Dilvo Grolli, presidente da Coopavel .

Enquanto essa faixa do Estado comemora a produtividade extra, outras localidades lamentam a frustração. Em Assis Chateaubriand, Palotina, Nova Santa Rosa, Goioerê e Campo Mourão há produtores com perdas expressivas por falta de chuva, casos de comprometimento de até 90% da lavoura.

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Mas onde a safra deu certo, a produtividade bombou a  ponto de congestionar o recebimento. A Coopavel está de olho no crescimento que ano a ano se registra. É preciso investir em novos armazéns porque o campo está cada vez mais eficiente. As máquinas são ágeis e o agricultor tem caprichado do dever de casa, produzindo muito e melhor.

Segundo Dilvo Grolli, nos últimos 34 anos, o salto de produtividade no agro brasileiro foi de 415%, uma explosão de grãos, cujo resultado sustenta a balança comercial do Brasil. Curioso é que neste mesmo período o aumento de área foi de  110% . “No Paraná não temos mais áreas disponíveis para ampliar o plantio, mas ainda assim temos tido 3% a 4% de aumento de produtividade anual. Isso tem sido possível com uso de novas tecnologias, s modelos de produção, melhor aproveitamento das terras e da qualidade do solo. E se o clima colabora, o salto pode passar de 20%, como o ocorrido agora com o milho”, ressalta Dilvo.

INVESTIMENTOS

A Coopavel acaba de anunciar um plano de ampliação de cinco unidades na região Oeste. “Temos tecnologia impulsionando a produtividade, então a Coopavel tem uma visão estratégica de aumentar a capacidade. Temos 33 unidades e cinco serão ampliadas. O estudo avalia a capacidade de armazenagem, de recepção e projeção para daqui cinco anos. Em 12 meses as estruturas estarão operando”, confirma o presidente. A Coopavel confirma uma nova unidade em Vitorino e ampliação de quatro filiais: Santa Tereza do Oeste, Espigão Azul, Campo Bonito e Céu Azul.

Com os investimentos 20% da capacidade será ampliada. A principal vantagem é o melhor atendimento aos cooperados, que passarão a ter processos mais ágeis no descarregamento. Os armazéns, geralmente são utilizados por 60 dias no período da primeira safra (soja), 60 dias na segunda safra (milho), e na terceira safra (trigo), já o problema de congestionamento não existe porque a quantidade de grãos é menor.

COOPERATIVISMO

No Sul os três estados tem a produção com base no pequeno produtor, uma fatia que corresponde a 72%. Os médios representam 24% e 4% são os grandes. O cooperativismo do Paraná recebe 72% da soja, 62% do milho e 56% do trigo. No Estado, a recepção de grãos é missão das cooperativas, que precisam de ampliação o tempo todo para acompanhar o ritmo do campo.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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