Programa de monitoramento do IAT ajuda a preservar manguezais do Litoral

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: DTA/Aquaplan

Como forma de preservar a biodiversidade do Litoral do Paraná, o Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), mantém um Programa de Monitoramento dos manguezais nas regiões do Rio Matinhos e da Baía de Guaratuba. A ação é desenvolvida pelo Consórcio DTA/Acquaplan e integra o Plano Básico Ambiental para as obras de recuperação da Orla de Matinhos, principal intervenção urbana da história do Litoral do Paraná, com investimento de R$ 354,4 milhões por parte do Governo do Estado.

Coordenadora do projeto, a oceanógrafa Débora Ortiz, da Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental, explica que o trabalho começou em julho de 2022 e já elencou boa parte da fauna e flora presente em uma extensão de 40 mil hectares, que corresponde a cerca de 40 mil campos de futebol.

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Foto: DTA/Acquaplan

De acordo com ela, o objetivo é realizar a avaliação estrutural dos manguezais dentro de uma distribuição espaço-temporal, e analisar o estado de conservação e as características ambientais que atuam sobre o ecossistema manguezal. Até o momento não foi verificado nenhum impacto do projeto de revitalização da orla nos manguezais.

“Também buscamos identificar e quantificar as espécies de caranguejos presentes nos manguezais da Baía de Guaratuba, com vista a identificar possíveis impactos das obras sobre o ecossistema e a fauna”, afirma a oceanógrafa.

A medida, segundo ela, busca ainda contribuir com a manutenção do status de “área de manguezais mais preservada da Grande Reserva Mata Atlântica”, segundo o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), iniciativa patrocinada pela Petrobras e pelo governo federal, e pesquisadores do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paraná (Lageamb/UFPR). “É um grande patrimônio natural do Paraná que merece ser preservado”, diz Débora.

Preservação que conta com o apoio e a sabedoria de gente como o barqueiro e pescador Elvisley José Rocha Ferreira, 49 anos, o popular Belém. Para ele, manter esse ambiente saudável e sustentável é princípio de vida. “Vivo e trabalho aqui há mais de 30 anos, e a fartura sempre foi uma característica”, destaca. Ele demonstra grande consciência ambiental e faz somente o uso necessário do que pode ser explorado na baía. “Não pesco todo dia, pego minha rede e vou para os lances uma ou duas vezes por mês, e pego paratis, caratinga, tainhota, cangulo”.

A captura dos peixes, em grande parte, é para consumo familiar. Na baía, Belém tem como principal fonte de renda o cultivo de ostras, para o qual ele conta com parceria da UFPR nas análises de qualidade do produto. “Isso aqui é o sustento de muita gente, e se depender de nós não vai morrer nunca”, ressalta o pescador.

Foto: DTA/Acquaplan

BAÍA DE GUARATUBA – A Baía de Guaratuba é o coração de uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica. Ela interage com o Oceano Atlântico por uma abertura de aproximadamente 500 metros, e prolonga-se para dentro do continente por cerca de 15 quilômetros. A profundidade da lâmina d’água, em alguns locais, alcança seis metros.

Os crustáceos braquiúros (caranguejos e siris) representam a fauna característica destes ambientes, possuindo um importante papel na cadeia alimentar, na aceleração do processo de decomposição da matéria orgânica e na aeração e renovação do solo. Além disso, muitas espécies são amplamente utilizadas como fonte de renda e proteína animal para as populações ribeirinhas como, por exemplo, o caranguejo-uçá, considerado como uma das espécies mais exploradas para o consumo humano, devido ao porte avantajado.

REVITALIZAÇÃO DA ORLA – De acordo com o boletim mais recente do IAT, a revitalização da Orla de Matinhos atingiu 94,13% em abril. A recuperação segue dentro do cronograma, com previsão de término para o segundo semestre deste ano.

A obra é feita em duas etapas, num valor total superior a R$ 500 milhões. A fase inicial, com orçamento de R$ 354,9 milhões, abrange serviços de engorda da faixa de areia por meio de aterro hidráulico; estruturas marítimas semirrígidas; canais de macrodrenagem e redes de microdrenagem e revitalização urbanística da orla marítima com o plantio de espécies nativas.

As intervenções são feitas ao longo de 6,3 quilômetros entre o Morro do Boi e o Balneário Flórida. Em uma segunda etapa, ainda sem previsão de data, será recuperado o trecho de 1,7 quilômetro entre os balneários Flórida e Saint Etienne. Haverá, também, a instalação de novos equipamentos urbanos, como ciclovia, pista de caminhada e corrida, pista de acessibilidade e calçada.

(Com AEN)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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