Sorgo ganha mercado e pode alcançar 200 mil hectares

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Pensar Agro

O cultivo de sorgo pode ocupar cerca de 200 mil hectares no Tocantins na próxima temporada, impulsionado pela organização da cadeia comercial e pela abertura do mercado chinês ao cereal brasileiro. Se a projeção do setor produtivo se confirmar e a produtividade permanecer próxima de três toneladas por hectare, o Estado terá potencial para colher aproximadamente 600 mil toneladas — mais de três vezes o volume estimado para a safra atual.

A produção tocantinense de sorgo foi estimada em 180 mil toneladas em 2025/26, crescimento de 22,9% sobre o ciclo anterior. O volume ainda representa pouco mais de 2% da safra nacional, mas mostra que a cultura começa a ganhar espaço no planejamento das propriedades, principalmente nas áreas cultivadas depois da colheita da soja.

Menos burocracia para abrir mercados aos pequenos produtores

No Brasil, o sorgo vive uma expansão mais ampla. A produção deve alcançar o recorde de 7,62 milhões de toneladas nesta temporada, avanço de quase 25%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. A área cultivada cresceu 31,8%, para 2,15 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional foi calculada em 3.542 quilos por hectare. Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e São Paulo lideram a produção.

O avanço coloca o Tocantins diante da possibilidade de aumentar sua participação nesse mercado. A cultura apresenta ciclo relativamente curto e suporta melhor períodos de restrição hídrica do que o milho, característica importante para o cultivo de segunda safra. O sorgo pode ser destinado à fabricação de rações para aves, suínos e bovinos, à produção de silagem, ao processamento industrial e, mais recentemente, às exportações.

A temporada de 2026, porém, mostrou que a resistência à seca não elimina os riscos climáticos. O atraso na implantação de parte das lavouras empurrou o desenvolvimento das plantas para um período de menor disponibilidade de chuva. As áreas semeadas mais cedo apresentaram resultados melhores, enquanto talhões tardios sofreram durante o enchimento dos grãos.

A colheita está praticamente encerrada no Estado, com produtividade média próxima de três mil quilos por hectare, segundo estimativa da Aprosoja Tocantins. O rendimento ficou abaixo da média nacional, mas não interrompeu o movimento de expansão da cultura, especialmente no sul tocantinense.

A principal mudança para os próximos ciclos está no mercado. A China autorizou a compra do sorgo brasileiro em setembro de 2025 e recebeu o primeiro carregamento no início de 2026. O país asiático responde por aproximadamente 80% das importações mundiais do cereal, enquanto Estados Unidos, Austrália e Argentina dominam atualmente as vendas internacionais.

O comércio exterior brasileiro ainda é pequeno e irregular. O país exportou somente 105 toneladas em 2025, depois de ter embarcado 178,4 mil toneladas em 2024. A habilitação chinesa, portanto, representa mais uma perspectiva de expansão do que um mercado já consolidado.

Para o Tocantins, a proximidade com a Ferrovia Norte-Sul e com os corredores de exportação do Arco Norte pode favorecer a formação de cargas destinadas ao exterior. O aproveitamento dessa oportunidade dependerá, contudo, da oferta de volumes regulares, padronização dos grãos, armazenagem, contratos de comercialização e preços capazes de competir com o milho.

Caso alcance os 200 mil hectares projetados, o sorgo deixará definitivamente a condição de cultura complementar para assumir maior peso na agricultura tocantinense. Além de oferecer uma segunda opção de renda depois da soja, poderá ampliar o aproveitamento das áreas agrícolas, fortalecer a produção regional de ração e inserir o Estado em uma cadeia exportadora que começa a ser estruturada no país.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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