Sul de Minas recebe força-tarefa para mitigar o avanço do greening

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Fundo de Defesa da Citricultura

Com o objetivo de minimizar os danos causados pelo HLB/greening à cultura de citros no estado, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), autarquia vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), desenvolve uma força-tarefa na cidade de Campanha, no Sul de Minas.

Na ação, técnicos do IMA vão às propriedades identificar a doença e notificar produtores, dando um prazo para a regularização. A iniciativa teve início esta semana e conta com o apoio de associações, sindicatos e prefeitura municipal.

A sigla HLB vem do nome de origem chinesa Huanglongbing, mas a praga também é conhecida como greening ou amarelão, doença que acomete citros e plantas de murta.
Transmitida por um vetor, o psilídeo – espécie de cigarra de cerca de três milímetros – , a bactéria ataca os vasos principais da planta e, por isso, se distribui muito rápido. Por isso a poda não é suficiente para que o vegetal sobreviva. Quando atacada pelo HLB, a planta precisa ser erradicada.

Por ser fatal e trazer inúmeros prejuízos para o setor, o IMA elaborou, no fim de 2023, um projeto piloto na região Sul do estado, onde a produção citrícola se destaca.

Para essa ação, o instituto reuniu produtores rurais, prefeituras e órgãos correlatos ao assunto, como Emater eEpamig, e estabeleceu dez metas, entre elas o incentivo ao cadastro de produtores no IMA.

Resultados

O resultado desta primeira etapa foi a regularização de mais de 30 produtores rurais de citros da região, que realizaram seus cadastros no IMA. Este trabalho em conjunto não rendeu sequer um auto de infração.

O cadastro no IMA, além de ser exigência legal, permite que o órgão monitore as produções no estado e, assim, consiga conter possíveis focos da doença. O estado tem algumas regiões críticas, aquelas que produzem tangerina, cultura mais atingida pela praga.

Estão entre as áreas com maior incidência do HLB o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas, o Alto Paranaíba, a Zona da Mata e a região Central do estado. A cidade de Belo Vale, na região Central do estado, é a que mais sofre por ser grande produtor de tangerina, já a área com menor incidência é o Triângulo Mineiro.

O controle do vetor da doença pode ser feito com a aplicação de agrotóxicos nos pomares. O produto deve ser indicado por um engenheiro agrônomo por meio do receituário agronômico, que deve acompanhar a aplicação, como exige a legislação.

Fiscalização

O trabalho do IMA é fiscalizar as propriedades em regiões com maior incidência da praga para verificar se estão sendo adotadas as medidas sanitárias previstas em lei.

O órgão também faz o levantamento fitossanitário nessas regiões para tomar as medidas protetivas o quanto antes, além de trabalho de conscientização dos produtores e entidades de classe do setor.

A recomendação oficial é que o produtor vistorie seu pomar de forma recorrente, porém a legislação exige que haja uma vistoria documentada trimestralmente nos municípios em que há a ocorrência do HLB e nos municípios limítrofes.

Para isso, o produtor deve contratar um engenheiro agrônomo que tenha passado pelo curso de CFO, ministrado pelo IMA.

Há cada seis meses, o produtor deve enviar ao órgão um relatório com as informações desta vistoria. O relatório referente ao primeiro semestre deve ser enviado até 15/7 e as do segundo semestre, até 15/1 do ano subsequente.

Impactos no setor

O impacto da presença do HLB/greening na produção citrícola é grande. O fruto, tanto para indústrias, quanto para a mesa do consumidor não tem saída no mercado. Não é possível acabar com a doença, porém é possível, por meio do monitoramento das plantações, diminuir a incidência da praga, diminuindo as perdas dos produtores.

Para se ter uma ideia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2022, o setor citrícola brasileiro movimentou mais de R$ 14 milhões. No mesmo ano, Minas Gerais foi responsável por pouco mais de R$ 1 milhão, sendo o segundo maior produtor de laranja do país, ficando atrás, apenas, de São Paulo, com quase R$ 11 milhões.

Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), em 2023 o cinturão citrícola, composto por São Paulo, Triângulo Mineiro e Sudoeste de Minas produziu o equivalente a 314 milhões de caixas de laranja.

A previsão para 2024 é de 307 milhões de caixas da fruta, uma queda de 0,7%. Ainda segundo o Fundecitrus, a incidência do greening é, também, um dos fatores que explicam a baixa na estimativa de produção deste ano.

A doença

Um dos grandes perigos do HLB/greening é que a planta pode permanecer assintomática pelo período de seis meses a dois anos, dificultando a detecção da doença. Quando se manifesta, a doença pode ser identificada por ramos mais amarelados, o que os técnicos chamam de mosaico, onde é possível identificar diversas colorações de verde dentro de uma mesma folha de forma simétrica nos lados direito e esquerdo. Já no fruto, há uma deformação em que um dos lados fica maior que o outro e as sementes estão abortadas.

Uma outra característica da doença é a preferência dos vetores por folhas mais jovens.

Por isso, o período de chuvas, quando há mais brotos, é o mais propício para a contaminação. Se o período de maior contaminação pelo HLB é o período chuvoso, o que mais se percebe a doença é o período de seca, quando a planta, em estado de estresse, consegue mostrar os sintomas com maior facilidade.

O trânsito de vegetais é uma das grandes preocupações do IMA, pois as mudas contaminadas, quando transportadas de um lugar para o outro, podem disseminar a doença.

A doença se alastra pelo chamado “efeito raio”, que, a partir de um ponto central, atinge o entorno das plantações por meio da disseminação natural, ou seja, o psilídeo instalado em determinado local voa e procura outras áreas próprias para sua instalação.

Caso haja suspeita de HLB em áreas de incidência da praga, o produtor deve entrar em contato com o responsável técnico de sua produção, um engenheiro agrônomo, que fará a vistoria das plantas e, se confirmada a doença, deve proceder com a erradicação.

Em áreas em que não há histórico da doença, o produtor deve procurar o IMA imediatamente. Se o diagnóstico for positivo, o IMA comunica a toda a cadeia produtiva da região para que todos adotem as medidas sanitárias necessárias.

Produtores que vão trazer mudas de outros estados do Brasil devem, antes, entrar em contato com o IMA e solicitar autorização.

Por Agência Minas 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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