Capim-elefante é opção de forragem para bovinos durante período de seca, aponta pesquisa

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Larissa Grazielle Paulino Melo/Epamig

Em recente artigo, pesquisadoras da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) recomendam o uso da cultivar de capim-elefante BRS Capiaçu como alternativa de forragem produtiva, viável e nutritiva para o gado, durante períodos de seca, graças à sua ampla resistência ao déficit hídrico.

A produção de alimento para rebanhos bovinos em épocas de estiagem é um desafio constante para pecuaristas brasileiros, que precisam fazer um planejamento forrageiro e escolher espécies de capim adequadas com antecedência, para que cresçam durante o período de chuvas.

Desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 2016, a variedade de Capim-elefante BRS Capiaçu tem sido recomendada para regiões tropicais e subtropicais, pois apresenta altos níveis de produtividade, mesmo em épocas de escassez hídrica, podendo chegar a 300 toneladas por hectare ao ano. Além disso, as plantas apresentam touceiras eretas e densas, o que faz com que tenham tolerância ao tombamento, fator que facilita a colheita mecânica.

A cultivar é indicada tanto para o fornecimento verde direto no cocho quanto para a ensilagem, processo no qual a forragem é cortada, compactada e vedada, para que ocorra fermentação e, com isso, a preservação de suas qualidades nutricionais.

“Outra característica importante da BRS Capiaçu é que ela apresenta uma fibra de melhor qualidade em relação às outras cultivares de capim-elefante, propiciando um melhor desempenho animal”, explica a pesquisadora da EPAMIG, Karina Toledo. “Ela também possui um teor mais alto de carboidratos solúveis, o que favorece o seu fornecimento verde no cocho dos bovinos”, complementa.

Experimentos com a BRS Capiaçu na EPAMIG

Atualmente, a EPAMIG conduz pesquisas que avaliam produtividade, valor nutricional, diferentes idades de corte e estratégias mais eficazes de ensilagem da BRS Capiaçu.

“Estamos testando diferentes alturas de corte e inclusões do fubá de milho como aditivo sequestrante de umidade. Esses aditivos absorvem a água presente no material que será ensilado e elevam o conteúdo da matéria seca, melhorando a fermentação e reduzindo possíveis perdas durante o processo de ensilagem”, detalha a pesquisadora da EPAMIG, Fernanda de Kássia Gomes.

Segundo ela, a equipe do Campo Experimental Santa Rita, localizado em Prudente de Morais (MG), iniciou, nos últimos meses, a coleta de materiais para o projeto, oriundos de uma Unidade Demonstrativa de BRS Capiaçu implantada no local. “É válido ressaltar que, graças a essa Unidade Demonstrativa, também pudemos realizar doações de mudas para alguns produtores da região, que nos enviaram um retorno muito positivo”, comenta Fernanda.

Sucesso entre os produtores

O pecuarista e engenheiro agrônomo, José Arnaldo Cardoso Pena, foi um dos produtores que aderiu ao uso da BRS Capiaçu em sua propriedade, em Sete Lagoas (MG). Há três anos, ele utiliza a cultivar como forragem para os animais de seu rebanho, que conta com cerca de 650 cabeças de gado.

Ele destaca a produtividade significativa da cultivar e a boa aceitação por parte dos animais. “Hoje, cada corte da BRS Capiaçu dá acima de 50 toneladas por hectare, o que representa quase o dobro do que eu produzia com a Napier, cultivar de campim-elefante que utilizávamos antes”, revela o produtor. “Foi uma tecnologia de grande impacto, pois o perfilhamento das plantas e o desempenho dos animais também têm sido superiores. As empresas de pesquisa, como a Embrapa e a EPAMIG, têm nos auxiliado bastante a alcançar maior produtividade, com melhores resultados e custos reduzidos”, finaliza José Arnaldo.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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