China reconhece Brasil como País livre de febre aftosa

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Reprodução

A China reconheceu o Brasil como País livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio consta de comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara), divulgado no site oficial da GACC.

“Com base nos resultados da análise de risco, a partir da data deste comunicado, fica suspensa a proibição da febre aftosa no norte do Brasil, e todo o território brasileiro é reconhecido como livre da doença”, afirma o texto. Na prática, a medida tende a ampliar o comércio de proteínas brasileiras com o país asiático.

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O governo brasileiro foi informado sobre o reconhecimento pelas autoridades chinesas na madrugada desta terça-feira, 2. O comunicado tem data de 29 de maio.

O Brasil pleiteava o reconhecimento desde que recebeu, em junho do ano passado, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A demanda foi reforçada em missão recente do ministro da Agricultura, André de Paula, ao país asiático, em maio deste ano, e também integrava o escopo de medidas compensatórias à salvaguarda de carne bovina pleiteadas pelo governo brasileiro.

Com o reconhecimento, o Brasil poderá avançar na negociação de novos mercados tanto na suinocultura quanto na pecuária bovina. Há tratativas bilaterais em andamento para a abertura do mercado chinês a miúdos suínos internos (fígado, estômago), carne bovina com osso, miudezas bovinas e cálculo da vesícula biliar bovina (pedra de fel, utilizada na indústria farmacêutica), itens que exigem o status de livre de febre aftosa sem vacinação.

Já a exportação de carne suína e de miúdos suínos externos (pé, orelha), hoje restrita a Santa Catarina, poderá ser ampliada imediatamente a outros Estados, a partir do pedido dos frigoríficos já habilitados para o comércio exterior. A exportação de couro wet blue para a China também deverá ser facilitada, sem exigência de certificados específicos, segundo fontes.

De acordo com fontes do setor, o protocolo de exportação de carne bovina firmado entre Brasil e China deve passar por revisão e ser atualizado após o anúncio.

A medida se soma ao reconhecimento, pela China, do Brasil como de “risco negligenciável” (insignificante) para a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como “mal da vaca louca”, comunicado pelas autoridades sanitárias chinesas ao governo brasileiro. Esse status também é considerado, por autoridades chinesas, condição precedente para o avanço das tratativas de ampliação das exportações de proteínas.

Com os dois reconhecimentos sanitários, o Brasil deve ganhar fôlego para avançar na abertura do mercado chinês para carne com osso, miúdos suínos e bovinos e cálculo da vesícula biliar bovina (pedra de fel). A China é o principal destino das carnes brasileiras, com embarques que somaram 2,057 milhões de toneladas em 2025, gerando receitas de US$ 9,815 bilhões com vendas de carne suína, bovina e frango, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro.

(Com Mercado de Consumo)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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