Crise do leite: Sudoeste do Paraná já fala em colapso no setor

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Freepik

O auditório ficou completamente lotado, tamanha a gravidade da crise na cadeia produtiva do leite. A Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) realizou na manhã desta sexta-feira (01) uma mobilização regional. Cerca de 400 pessoas marcaram presença, a maior parte formada por produtores rurais, dispostos a sensibilizar lideranças políticas de que providências precisam ser tomadas. O evento denominado “Crise do Leite” teve a finalidade de discutir novas medidas para evitar o colapso do setor que luta contra a queda do preço do leite e aumento no custo da produção.

A mobilização é uma das ações iniciais de enfrentamento da crise do setor leiteiro. De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Amsop, esse é o pontapé para que o Sudoeste do Paraná lidere esse enfrentamento. “Afinal, a cadeia produtiva do leite é um dos pilares da economia do sudoeste”, aponta. 

Ainda, segundo Vottri, essa queda no preço do leite se deve a um conjunto de fatores, como o aumento das importações e alta nos preços dos insumos e transporte. 

homem fala ao microfone
Foto: assessoria

De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Amsop, Marciano Vottri, a mobilização tem como objetivo criar uma linha de ação e enfrentamento à problemática. “Nós também precisamos entender a raiz desse problema e, aí, nós temos algumas situações distintas, a exemplo da oferta do leite no mercado, que se comparado ao primeiro semestre de 2022, nós temos 5% a mais de leite sendo ofertado, e também da abertura de canais de importação”, diz o presidente. 

Vottri afirma ainda que toda a discussão e as decisões serão tomadas com base nos dados citados e que a expectativa é que sejam alcançadas melhorias e suporte para os produtores de leite que estão à beira de um colapso. “Eu diria que essa é a maior crise já instalada no setor produtivo nos últimos anos”, pontua. 

Já para o presidente da Aproleite Sudoeste, Sidcley Risso, a situação emergencial a ser resolvida é sobre a importação do leite. “Hoje nosso País está inundado com as importações de países do Mercosul, a níveis nunca vistos, em torno de 12% do consumo nacional, o que, historicamente, fica de 1 a 3%. Então, todo esse leite que está vindo a custo baixo, porque lá é outro sistema de produção, dificulta a rentabilidade das nossas propriedades”, aponta Sidcley. 

auditório cheio para reunião política
Foto: assessoria

Para resolver a situação, o presidente da Aproleite defende que é preciso que os preços do leite sejam pré-estipulados. “A gente entrega o produto sem saber o preço que vai receber pelo leite e, por isso, acaba não cobrindo os custos da propriedade, que é o que está acontecendo. Então, a gente precisaria hoje trabalhar pelo menos R$ 0,50 centavos até R$ 1 acima do que vem sendo praticado para conseguir manter os compromissos das propriedades e manter capacidade de reinvestimento. O próximo passo vai ser o quê? Não conseguir cumprir os compromissos e encerrar as atividades das propriedades”, desabafa. 

O coordenador da Frente Parlamentar do Leite da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Wilmar Reichembach (PSD), acompanhou a discussão.  “O momento é muito grave! Precisamos limitar as importações de leite em pó do Uruguai e Argentina, pois isso está prejudicando o mercado nacional, especialmente os produtores rurais que nesta época deveriam ter lucro com a produção e está ocorrendo o contrário, amargam prejuízos! O Governo Federal tem mecanismos para reverter essa situação. Vamos juntos somar forças, encontrar caminhos e soluções urgentes”, citou o parlamentar.

 

 

“É a maior crise do setor leiteiro da história”, apontou o produtor Pedro Ivo, ex-prefeito de União da Vitória, ex-deputado estadual e membro do movimento Pró-Leite. Anderson Barreto, presidente da Amsop e prefeito de Coronel Vivida, destacou que “e essa dificuldade deve ser enfrentada com união, vontade e determinação”. As reivindicações apontadas no encontro deverão ser apresentadas ao vice-presidente Geraldo Alckmin na próxima semana, em Brasília.

Ouro branco

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite, com mais de 34 bilhões de litros por ano, com produção em 98% dos municípios brasileiros, tendo a predominância de pequenas e médias propriedades, empregando perto de 4 milhões de pessoas. O Paraná é o terceiro maior produtor de leite do país, com 3,9 bilhões de litros por ano e representa a cadeia produtiva mais importante para os agricultores familiares do Estado. Esta produção é obtida por 110 mil produtores, dos quais 86% são pequenos produtores com até 250 litros/dia. E o Sudoeste é a segunda maior bacia leiteira do Brasil e a maior do Paraná.


(Com Assessoria, Carine Prolo)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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