Dilema dos bloqueios da BR-277: O que o estado está fazendo para amenizar os prejuízos do agro?
#souagro| BR-277 uma das principais rodovias do Paraná, que atravessa o estado e é por onde passa boa parte da produção agropecuária. E é justamente por ser tão importante que este assunto tem ficado em foco há meses. Isso porque, os constantes bloqueios tem afetado diretamente no escoamento da produção.
Tudo começou no ano passado quando houve deslizamentos de terras por contas das fortes chuvas. De lá pra cá, os bloqueios na 277 estão acontecendo com frequência, o que segundo análises dos especialistas vão gerar um prejuízo bilionário ao agronegócio.
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Em conversa com o secretário de agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, buscamos entender o que o estado tem feito para amenizar os prejuízos, afinal, mesmo a 277 sendo uma rodovia federal, os reflexos são sentidos em todo estado. Segundo Ortigara, houve demora do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, DNIT.
“É uma rodovia federal que, lamentavelmente, quando teve a queda de barreira na descida para Paranaguá, teve uma demora muito grande do DNIT em dizer que não tem o dinheiro e autorizar o estado a fazer a intervenção. Pouco a pouco está sendo resolvido tem mais um pedaço a frente na curva que houve rachadura de piso e está sendo trabalhado e de fato, cria um estresse, complicou o frete, demora demais para chegar no porto. Mas nós não estamos sofrendo muito com atraso, com retardo para ter navios muito parado, não. Então, pouco a pouco vai se restabelecendo”, disse.

Segundo o secretário, uma das alternativas é melhorar o restante das rodovias que são importantes para o estado, para que assim seja possível otimizar este escoamento.
“O grande desafio é triplicar Foz do Iguaçu a Paranaguá, triplicar Curitiba a Nova Londrina. Estamos na fase agora de fazer a duplicação, a terceira faixa, a terceira pista, num processo que deverá ir para bolsa logo, logo. Essa parte mais do Oeste, provavelmente vai ficar mais para a frente. Mas a gente está trabalhando politicamente lá com a autoridade e com o Ministério da Infraestrutura Federal, com as agências, com o próprio Tribunal de Contas da União, para ver se a gente logo, logo traz pra cá investimento. Nós não podemos continuar com esse tamanho de rodovia, com o tamanho da safra crescente que nós temos. Ponto final”, disse Ortigara.
O andamento para a nova concessão dos pedágios também tem avançado. A expectativa é que o novo contrato venha para resolver questões que afetam a logística há anos no Paraná.
“Um modelo que nos interessa muito, muito. Simples assim. É a menor tarifa com garantia de que vai ter obra em seis ou sete anos. Esse é o modelo que nós precisamos. Vamos pagar pedágio? Vamos sim. Não tem outra forma de arrumar dinheiro para ampliar a malha rodoviária. Então, o modelo será de concessão. Vamos na bolsa de valores, na B3, fazer o lançamento em seis lotes. Eles já estão todos dimensionados. Qual é o tamanho de obras, terceira pista, a duplicação, contornos, passarelas enfim, tudo o que é necessário para que tenhamos rodovias de mais qualidade para suportar. Não dá pra mais pensar em um caminhão, levar tanto tempo aqui de Cascavel até chegar em Guarapuava naquele sofrimento da serra ali. Estrada de uma pista, duas pistas, no máximo. Então nós precisamos exatamente trazer para uma definição. Então, o entendimento havido agora antes do último feriado foi no sentido de que tanto a bancada estadual quanto a bancada federal, quanto o governador, quanto à estrutura técnica do estado do DER, assessorado por mais gente que entende. Chegou-se a um consenso se levou a Brasília. Então vamos, pouco a pouco, liberar os lotes para trazer investidores sérios. Para ser sério, tem que depositar o dinheiro na forma de aporte para que se não fizer o dinheiro, fique e a gente faz com outro. Então, provavelmente venhamos a atrair bons investidores com tarifas provavelmente decentes e com obras que é mais importante. A gente precisa ter obra para poder não sofrer tanto como estamos sofrendo esse ano”, finaliza Ortigara.
Lembrando que o Paraná está sem cobrança de pedágio desde novembro de 2021. Com o fim da cobrança da tarifa, o fluxo nas praças de pedágio desativadas funciona assim: os veículos não passam pelas cancelas das pistas centrais, e sim pelas laterais, desviando da infraestrutura do pedágio em si. As pistas centrais, onde ficam as cabines, têm o tráfego bloqueado nos dois sentidos.
PREOCUPAÇÃO COM PREJUÍZOS NO AGRO
Nos últimos meses, por diversas vezes, a BR-277 esteve interditada de forma total ou parcial por queda de barreiras, rachaduras na pista e risco de desmoronamento. Com base nisso, a projeção avalia o cenário de interrupção total da rodovia, única estrada que comporta o tráfego de cargas pesadas até o Porto de Paranaguá. Neste caso, a produção teria que sair por outro complexo portuário.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), a projeção da colheita de soja em 2022/23 é de 21 milhões de toneladas. Com base nas médias históricas, o estado deve exportar 15,7 milhões de toneladas – 12,6 milhões por rodovia e 3,1 milhões por ferrovia. Se todo esse volume deixasse de sair por Paranaguá, por uma interdição total da BR-277, o prejuízo seria de R$ 602,7 milhões somente pelo custo de frete a mais até Santos.
“O trecho da BR-277 na Serra do Mar tem apresentado bloqueios totais e parciais constantemente, o que dificulta o escoamento das cargas. Se a situação piorar, isso pode contribuir também para a aplicação de deságios maiores, mais uma penalização que leva uma parte do lucro dos paranaenses a escorrer pelo ralo”, destacou o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette em março deste ano.











