Com preços abaixo da média, produtores de soja buscam crédito para evitar prejuízos

Débora Damasceno

Débora Damasceno

Foto: Envato

#souagro| Se tem algo que está tirando o sono do produtor rural nos últimos dias é a baixa nos preços da soja. A gente já mostrou aqui no Sou Agro que essa queda nas cotações é causada por uma série de fatores. Só que toda essa incerteza tem causado preocupação no agricultor que agora aguardam os valores subirem para então vender a produção. Nesta segunda-feira (24) por exemplo, a cotação da soja ficou em média de R$ 126 no Oeste do Paraná.

Por conta disso, uma alternativa encontrada foi buscar crédito para manter os grãos armazenados para uma venda futura, principalmente no Noroeste do PR. Somente em uma cooperativa de crédito o aumento foi de 25%  na linha financeira destinada para isso. Mas esse número pode aumentar nas próximas semanas já que abril e maio os produtores precisam quitar, em lojas especializadas e cooperativas de produção, os investimentos que fizeram para custeio da produção.

Para se ter uma ideia, desde o início do ano, R$ 240 milhões em crédito foram emprestados aos associados do Sicredi para essa finalidade, e o valor deve chegar a R$ 400 milhões até o meio do ano. O gerente de Desenvolvimento Agro, Vitor Pasquini, explica que o momento da soja é bem diferente de um ano atrás, quando a cotação chegou próxima a R$ 200 por saca.

Em contrapartida, os produtores tiveram, nas duas últimas safras de verão, menor produtividade e prejuízos por causa da falta de chuva. “Agora tivemos uma excelente safra de verão, com boa produtividade. Só que a cotação está abaixo do que os produtores estimam. Com a elevação de custos do insumo, como o preço dos fertilizantes que foram afetados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, muitos produtores estão preferindo estocar a produção à espera de melhor cotação”, disse.

FATORES QUE INFLUENCIARAM A QUEDA DE PREÇO

“Primeiro é o recorde de produção, de cerca de 152 milhões de toneladas de soja. Embora a Argentina esteja com quebra da safra por questões climáticas e do problema que nós mesmos tivemos com isso, principalmente a seca no Rio Grande do Sul, a produção brasileira total repôs essa queda”, afirmou o economista Camilo Motter.

O mercado interno é influenciado pelo mercado internacional e este é formado pela Bolsa de Chicago e também pelos prêmios nos portos brasileiros. “Embora o preço em Chicago não esteja tão ruim, os prêmios dos portos estão negativos agora, e isso faz com que o valor daqui caia bastante. Também temos fatores logísticos, problemas com estradas recentes e com a chuva, que dificultou carregamento nos portos”, listou.

A demanda internacional também está acomodada e, com isso, aumenta a oferta interna e o preço cai. “A China está comprando de forma menos intensa. Ela encontrou outras alternativas para alimentação do rebanho suíno. No ano passado, importou 92 milhões de toneladas de soja. Para este ano, previsão de 96 milhões de toneladas. Além disso, a produção interna do país asiático melhorou e hoje está em torno de 20 milhões de toneladas, o que deixa a situação por lá mais tranquila”, detalhou Motter.

(Com Ocepar)

 

 

 

Autor: Débora Damasceno

Débora Damasceno

Autor no site Sou Agro.

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