Alta dos grãos ameaça empregos e abastecimento, alerta Sindiavipar

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#souagro | “Queremos trabalhar junto aos governos federal e estadual para aliviar a pressão da alta dessa matéria prima, a soja e o milho, em nosso País. As justificativas para esses pedidos são muito reais, os empregos e o abastecimento da proteína estão em risco. Hoje, há um paradoxo, o importador tem menos custo na compra do milho brasileiro do que o industrial do nosso País. Isso porque na exportação o PIS e o COFINS são isentos, enquanto no mercado interno não é”. O alerta é do presidente do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná), Irineo da Costa Rodrigues, que também ocupa o cargo de presidente na Cooperativa Agroindustrial Lar.

Outra ação da Sindiavipar dentro da mobilização de estratégicas emergenciais para conter o impacto da alta dos grãos, é agendar uma audiência com o presidente da República, Jair Bolsonaro, com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, engenheira agrônoma Tereza Cristina e com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Isso tudo foi debatido em um encontro virtual realizado nesta semana, envolvendo líderes do setor produtivo avícola de todo o Estado. São medidas importantes que precisam ser adotadas para minimizar os reflexos da escassez e dos altos preços dos grãos, no caso o milho e a soja. Os dois, representam 70% dos custos de produção total da proteína. A mobilização conta com o respaldo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Dados do ICP Frango, da Embrapa Suínos e Aves, mostram que a produção de carne de frango no Brasil está 43,4% mais cara, em comparação com abril do ano passado. No Paraná, a alta chegou a 115% no preço do milho, comparando com o mesmo período do ano anterior, com base em informação obtidas junto à CEPEA-ESALQ/USP. A alta no preço médio da soja passou de 98%. Já o frango, apenas 14,4%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), insuficiente para cobrir os custos de produção.

 

PR: avicultura preocupada com abastecimento de milho

Supervalorização dos grãos preocupa entidades avícolas

 

O presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, também está preocupado com o cenário. “Temos que tratar como uma questão emergencial, pois o mercado será afetado, com risco de desabastecimento e demissões no setor”.

Já o presidente da FAEP, Ágide Meneguette, defende a criação de um programa para captação de recursos, com juros acessíveis para o setor. “Vejo como oportuna a questão de tentar fazer um estudo de longo prazo para o setor. Nunca vamos querer concorrer com Centro-Oeste, mas temos que aproveitar o diferencial para ter um Paraná transformador no meio de proteína animal”, relatou.

As entidades apoiaram as sugestões ao governo e órgãos competentes, que constam em ofício enviado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) à presidência da República, com foco em ações emergenciais e estruturantes:

*Autorização excepcional para importação de milho transgênico produzido nos Estados Unidos, com a finalidade exclusiva de uso na ração animal;

*Suspensão temporária (até dezembro/21) da cobrança de PIS e COFINS sobre a importação de grãos – para empresas que não operam na modalidade Drawback;

*Suspensão temporária da cobrança de PIS e COFINS incidentes sobre o custo do frete nas operações interestaduais de transporte de grãos;

*Ampliação do acesso a crédito para construção de armazéns e armazenagem de milho, voltado às agroindústrias e cooperativas de proteína animal do Brasil;

*Instalação de programas de incentivo ao plantio de Cereais de Inverno, em especial nos entornos dos polos produtores de proteína animal;

*Linhas de crédito favoráveis para o plantio de milho no verão, com juros adequados, subvenção de seguro e aumento de limite por CPF.

 

(Vandré Dubiela, com informações da Sindiavipar)

 

Foto: Sindiavipar

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