Safra de lã do RS mira 8 milhões de kg em meio a atraso

Fernanda Toigo

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Imagem: Casa da Ovelha

A combinação de chuva e frio tem impedido o avanço da tosquia em parte das fazendas de ovinos do Rio Grande do Sul. Para esta safra, a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) estima 8 milhões de quilos de lã no estado, com preocupação sobre a qualidade da fibra.

Em Herval, um grupo de tosquiadores está sem trabalhar enquanto espera temperaturas mais altas para retirar a lã dos animais. O coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, informa que os criadores aguardam uma melhora do tempo para retomar o trabalho. Segundo a entidade, os danos ligados à umidade excessiva ficaram abaixo do previsto.

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Atraso e qualidade

A demora tende a elevar o contato do velo com plantas contaminantes, entre elas a flechilha, capim cuja semente tem formato de pequena flecha e pode aderir à lã. A incidência desse capim se intensifica em novembro. As chuvas de agosto acenderam o alerta para coloração e fungos, mas Muñoz avalia que as perdas foram menores que o temido, inclusive em áreas com 600 ou 700 milímetros acumulados.

A Arco calcula que 2 milhões a 3 milhões de quilos terão bom valor têxtil, faixa que a entidade reconhece ser difícil de mensurar. O recuo nas cotações da lã durante a pandemia e no período seguinte levou criadores a cruzar parte do rebanho com raças de corte, o que reduziu a qualidade de alguns lotes.

Certificação e mercado

A Arco mantém 12 equipes inscritas em sua página na internet, mas a certificação não deve ser usada por todas ao longo de toda a safra. Algumas tosquiam rebanhos de produtores não inscritos no programa, e grupos uruguaios trabalham sobretudo na Fronteira Oeste. A Arco ainda não fechou o total de lã a ser certificado.

No mercado externo, Muñoz vê um cenário favorável, com a oferta mundial menor e os rebanhos em queda. Em uma reunião recente no Uruguai, que teve compradores e industriais, ele observou que os compradores de lã certificada seguem critérios rígidos de qualidade. Ele recomenda que os criadores busquem a certificação e cuidem da forma de acondicionamento, para responder à demanda e valorizar o produto. A indústria brasileira ainda compra lã certificada em ritmo lento, mas há expectativa de que essa procura se alinhe às exigências do mercado.

(Com Space Money)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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